Destinado à prevenção e combate ao Desperdício Alimentar pelo consumidor final
29 janeiro 2018
Este blog nasce como parte integrante duma dissertação de mestrado. Outra das partes que suporta essa tese será o questionário que segue no link aqui em baixo, ao qual peço que respondam de forma a contribuirmos todos para acabar com o desperdício alimentar. Muito obrigada.
Questionário sobre o desperdício alimentar do consumidor final
Pão-pão, lixo-lixo!
Não devem haver muitos povos que gostem tanto de pão como o português. É pão com tudo e tudo no pão. Nem o bacalhau, nem a feijoada, nem a sardinha, nada sabe ao mesmo se não houver pão para molhar no molho.
O problema é que tanta abundância de pão, não só não faz muito bem à linha, como resulta invariavelmente em desperdício, sendo que esse desperdício tende a ser tanto maior quanto maior o número de pessoas no agregado. Parece um contra senso, mas não é. Basta pensarmos que numa família com filhos, o pão tende a ser para acompanhar refeições, e a integrar refeições intermédias como o pequeno almoço e os lanches, enquanto que no caso de uma pessoa sozinha, tradicionalmente o pão tende a fazer parte da base de refeições como o almoço ou o jantar, entre outros factores.
Sendo um produto do dia, que tende a perder as suas qualidades rapidamente, é natural que, dois dias depois, já nem para torradas o queira e ele acabe invariavelmente no lixo. Mas mais uma vez façamos um exercício rápido relativamente a 4 tipos de pão, apenas para vermos quanto dinheiro andamos a perder:
Tipo
de pão
|
Valor
desperdiçado por dia (€)
|
Valor
desperdiçado 30 dias (€)
|
Alentejano*
|
0,1
|
3,0
|
Bola de Sementes**
|
0,45
|
13,5
|
Bola de Mistura**
|
0,12
|
3,6
|
Carcaça**
|
0,15
|
4,5
|
*considerando o desperdício de 50 g de pão diário
** considerando o desperdício de uma bola/carcaça diária
Como vê e se juntar este valor ao calculado para outros desperdícios alimentares, em posts anteriores, a conta vai aumentando. Se tiver por hábito recorrer aqueles pães "mais saudáveis" poderá ver, pelo exemplo da bola de sementes, que a conta rapidamente aumentará.
O que fazer? Posso começar por dizer o que NUNCA fazer. Ao contrário da maioria dos alimentos, o pão NÃO se conserva melhor no frigorífico, antes pelo contrário, acelera o processo de endurecimento. A forma ideal de acondicionar o seu pão é naquelas caixas próprias, com a tampa de correr, de preferência embrulhado num pano - lembra-se dos sacos do pão com que as mães nos mandavam à mercearia? Se tiver um desses, dê-lhe uso!
Comece por conhecer os seus hábitos e os da sua família. Se só se consomem 4 carcaças por dia, para quê comprar a quinta? Eu sei, só para o caso de apetecer mais uma. Mas se são mais as vezes que não apetece, então pura e simplesmente suprima-a da lista. Faz um favor ao meio ambiente, à sua carteira e à sua dieta.
O congelador é, neste como em muitos outros casos, o seu melhor amigo. Se tem hipóteses de ir à padaria todos os dias este ponto não é para si. Mas se precisa de comprar pão à semana ou ao mês, ou se sobrou pão num jantar que deu ai em casa, o congelador é uma ferramenta indispensável. Para descongelar, pode recorrer ao saco de pano de novo, deixando descongelar lentamente à temperatura ambiente, mas pode também torrar o pão , pô-lo na tostadeira para fazer uma tosta ou recorrer ao forno, de onde vai sair a parecer que foi acabado de fazer, tudo directamente do congelador para o respectivo aparelho. Há quem use também o microondas. Mantenha o pão congelado às doses, seja fatiado ou às unidades e descongele apenas a dose necessária. Não dá trabalho, mas dá resto zero!
No entanto, bem sei que há dias que a organização da casa se revela impossível. Um Domingo em que não apetece fazer nada, um dia louco no trabalho que nos deixou de rastos e lá se foi todo o esquema da semana. O pão acabou duro que nem pedra... Não faz mal. Ainda assim consegue recuperá-lo. Encha um tabuleiro de ir ao forno com uma camada de água de mais ou menos meio centímetro e molhando bem o seu pão duro em toda a sua superfície, coloque-o no dito tabuleiro e leve ao forno bem quente (200-220 °C) durante 10 min, ou até a água se evaporar toda. Quando a crosta estiver de novo estaladiça, está pronto a consumir. Serve apenas para consumo imediato, mas salvou o seu pão duro do caixote. Se o pão estiver em fatias pode borrifá-lo com água, apenas para humedecer, e torrá-lo ou tosta-lo. Se tudo o mais falhar enfie-o na picadora e faça o seu próprio pão ralado, guardando-o num frasco ou numa caixa hermética para futuras utilizações. Não fica tão fino como o de compra, mas na altura de fritar, nos croquetes ou no rolo de carne, fica bem saboroso.
Portanto, a única altura em que o pão já não tem recuperação possível, é quando já tem bolor e aí, não hesite, deite fora. Mas para ele ter chegado a esse ponto há alguma coisa que não está a fazer bem feito. Há também inúmeras receitas para aproveitamento de pão, mas terei que as deixar para outro dia que o post já vai longo.
Bons aproveitamentos e não se esqueça... o lixo é para os fracos!
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Pão
22 janeiro 2018
Afinal é "até" ou "de preferência antes de"...?!?
De certeza que, na sua visita habitual ao supermercado mais próximo, ao verificar as datas de validade dos produtos, já se deparou com as expressões "consumir de preferência antes de" e "consumir até". Saiba, que ao contrário do que poderia parecer à partida, elas não querem dizer a mesma coisa.
O consumir até indica uma data a partir da qual se considera que o alimento não está em condições de ser consumido, podendo inclusive acarretar riscos para a saúde, para quem infringir a data estipulada. Estão inseridos nesta definição alimentos perecíveis como por exemplo a carne, os iogurtes e o peixe.
Existem por outro lado alimentos que exibem junto à sua data de validade a expressão "consumir de preferência antes de". São alimentos que, se consumidos após a data estipulada, não representam qualquer tipo de perigo para a saúde do consumidor, estando eles na maioria dos casos, em perfeitas condições de consumo. Englobam-se neste grupo as massas, os enlatados e outras conservas, a maioria dos cereais e farináceos.
Poderíamos então perguntar-nos o porquê de terem sequer uma data de validade. Na verdade é, na maior parte dos casos, uma salvaguarda para o fabricante. Com o passar do tempo todos os produtos, mesmo os mais inertes, sofrem algum tipo de alteração. O exemplo mais comum de um produto que se encontra invariavelmente fora da data anunciada na embalagem, cá por casa, é a farinha Maisena. Tenho-a no armário quase por tradição familiar, mas o facto é que a uso muito pouco. A farinha Maisena não é mais do que um espessante para molhos e sobremesas. A data apresentada funciona como uma garantia para o fabricante de que se essa propriedade se perder ou diminuir porque alguém se lembrou de guardar o mesmo pacote durante 20 anos, o fabricante não venha a ser culpabilizado por isso. E ainda assim, se bem acondicionada, é capaz de funcionar.
Existem já inclusive lojas que vendem estes produtos a preços mais baratos. É o caso da Good After, um site de vendas online para o qual deixo o link: https://goodafter.com/pt/. Poderá conseguir descontos de até 70% nas suas compras habituais.
Uma última nota no conceito "consumir até". Como em tudo é preciso bom senso. Os alimentos não se comportam como a Cinderela e não se estragam assim que batem as doze badaladas da meia noite. Os fabricantes calculam as datas de validade incorporando uma margem segura o que significa que, passados um ou dois dias depois da data de validade, continua a ser bastante seguro consumir estes produtos na mesma.
O consumir até indica uma data a partir da qual se considera que o alimento não está em condições de ser consumido, podendo inclusive acarretar riscos para a saúde, para quem infringir a data estipulada. Estão inseridos nesta definição alimentos perecíveis como por exemplo a carne, os iogurtes e o peixe.
Existem por outro lado alimentos que exibem junto à sua data de validade a expressão "consumir de preferência antes de". São alimentos que, se consumidos após a data estipulada, não representam qualquer tipo de perigo para a saúde do consumidor, estando eles na maioria dos casos, em perfeitas condições de consumo. Englobam-se neste grupo as massas, os enlatados e outras conservas, a maioria dos cereais e farináceos.Poderíamos então perguntar-nos o porquê de terem sequer uma data de validade. Na verdade é, na maior parte dos casos, uma salvaguarda para o fabricante. Com o passar do tempo todos os produtos, mesmo os mais inertes, sofrem algum tipo de alteração. O exemplo mais comum de um produto que se encontra invariavelmente fora da data anunciada na embalagem, cá por casa, é a farinha Maisena. Tenho-a no armário quase por tradição familiar, mas o facto é que a uso muito pouco. A farinha Maisena não é mais do que um espessante para molhos e sobremesas. A data apresentada funciona como uma garantia para o fabricante de que se essa propriedade se perder ou diminuir porque alguém se lembrou de guardar o mesmo pacote durante 20 anos, o fabricante não venha a ser culpabilizado por isso. E ainda assim, se bem acondicionada, é capaz de funcionar.
Existem já inclusive lojas que vendem estes produtos a preços mais baratos. É o caso da Good After, um site de vendas online para o qual deixo o link: https://goodafter.com/pt/. Poderá conseguir descontos de até 70% nas suas compras habituais.
Uma última nota no conceito "consumir até". Como em tudo é preciso bom senso. Os alimentos não se comportam como a Cinderela e não se estragam assim que batem as doze badaladas da meia noite. Os fabricantes calculam as datas de validade incorporando uma margem segura o que significa que, passados um ou dois dias depois da data de validade, continua a ser bastante seguro consumir estes produtos na mesma.
15 janeiro 2018
Quiça... Quiche
Se não quiser fazer a massa, o que já exige alguma mestria na cozinha, compre as pré-feitas no supermercado. Existem na secção de massas frescas ou congeladas, sendo que se optar pelas frescas pode chegar a casa e congelar também, sem perderem qualidades. Pode ainda escolher massa folhada ou quebrada. Cá por casa a favorita é a folhada.
A receita que lhe deixo é a da base, sendo que todos os outros ingredientes poderá incorporar a gosto, directamente se estiverem cozinhados, ou depois de um entalão na frigideira se estiverem crus. É importante que sejam cortados ou desfiados em pequenas porções para se incorporarem bem no recheio, mas não triturados para que se sinta a mistura dos sabores individualmente e não apenas uma papa
Ingredientes:
1 embalagem de massa redonda (folhada ou quebrada)
4 ovos médios
200 mL de natas para culinária
sal, pimenta preta, salsa e noz moscada q.b.
Forre a forma de tarte com a base de massa. Se for de compra virá enrolada em papel vegetal. Deixe ficar o papel por baixo da massa, deste modo não precisa de untar a forma.
Numa taça, bata os ovos com uma vara de arames até as gemas e as claras estarem bem misturadas. Junte as natas e continue a bater até obter uma mistura homogénea. Tempere com sal, pimenta preta, noz moscada e salsa a gosto. Depois incorpore os ingredientes seleccionados por si. Deite tudo sobre a massa na forma de tartes. Leve a forno pré-aquecido a 200 ⁰C durante 30 min ou até a quiche começar a corar.
Sirva com uma salada verde.
Como vê, não é preciso qualquer tipo de aptidão especial para confeccionar este prato. Os miúdos adoram e é também ótimo para os introduzir nas lides culinárias.
Deixo-vos com uma lista de ingredientes que, em separado ou em combinações múltiplas, na minha experiência, fazem uma quiche deliciosa:
-Requeijão e quase todo o tipo de queijos (nunca experimentei azuis)
-Carnes frias e alguns enchidos: chouriço de carne e mouro, farinheira, paios e salpicões
-Restos de carnes: aves, porco, vaca, borrego (se tiverem molhos passem por água e escorram bem)
-Bacalhau
-Pescada e Delicias do Mar
-Marisco: Camarão, Mexilhão, Sapateira
-Cebola e tomate, mesmo reciclados da salada
-Espinafres e Alho Francês
-Cogumelos
Bons aproveitamentos e bom apetite!
08 janeiro 2018
Objetivo: Restos Zero!
Olá
O " Sem Sobras Nem Restos" nasceu da sugestão da minha querida professora Paulina Mata, inserido no âmbito do Mestrado em Ciências Gastronómicas e pretende constituir uma ferramenta de combate ao Desperdício Alimentar.
Foi um tema que me apanhou completamente desprevenida o ano passado. Vinda de hábitos de aproveitamento profundos e com a máxima de estragar o menos possível após cada refeição, fiquei profundamente chocada com os números da problemática: em países desenvolvidos em que a maior fonte de desperdício é o consumidor final.
Assim sendo é evidente que coisas que para mim são óbvias e adquiridas, para a maioria da população permanecem no desconhecimento. Então porque não partilhar essa experiência e esse saber em prol do bem comum? E acreditem, quer ao nível ambiental, quer ao nível económico é mesmo para o bem comum.
Hoje disponho-me a fazer um pequeno exercício convosco. Quanto poupam em média por evitar o desperdício. O menu para hoje é:
-Febras de porco com arroz branco e salada de alface, temperada com azeite.
Vamos imaginar que sobrou uma febra com cerca de 100g, 50g de arroz (peso seco) e por absurdo 10g de alface com o correspondente a 2 mL de azeite do tempero.
Produto
|
Preço
por kg ou L (€) (médio)
|
Valor
Desperdiçado (€)
|
Febras de Porco
|
4,00
|
0,4
|
Arroz
|
1,00
|
0,05
|
Alface
|
1,50
|
0,015
|
Azeite
|
5,00
|
0,01
|
Total
|
0,475
|
Portanto, repare que só nesta refeição terá desperdiçado em torno de 0,5€. Não estão aqui contemplados valores dos temperos nem das bebidas e a refeição é das mais baratas possíveis na alimentação corrente, confeccionada em casa e não no restaurante, onde teria obviamente um custo acrescido para o consumidor.
Se pegar naquele valor e o multiplicar por dois, terá desperdiçado 1€ no final do dia em alimentação. Se extrapolar para 30 dias, significa que deitou 30€ para o lixo no final do mês.
Este exercício poderá ser estendido ao pão e à fruta, alimentos que se encontram entre os que mais desperdiçamos. E ainda aos alimentos que nem chegamos a consumir por passarem os seus prazos de validade, como sejam os lacticínios, por exemplo, elevando o valor calculado para números ainda mais altos.
E agora, vai continuar a deitar dinheiro para o lixo?
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