28 maio 2018

Malvada Alface!


Aposto que, por muito organizada/o que seja com as suas compras, há sempre umas folhinhas de alface que se estragam na gaveta do frigorífico. Se bem que "estragar" é um termo muito forte! É facto que alface como esta que está na foto aqui por cima, está longe de estar em condições para fazer uma salada.

Na verdade, a maior parte dos estragos da alface devem-se à perda de água nas células, deixando as folhas "murchas". Mas nada nos impede de usar essas folhas numa sopa por exemplo. E se gostar de aromas mais exóticos, não tarda nada está a comprar alface, só para confecionar este creme.

Creme de Alface (para 6 a 8 doses aprox.)

Azeite q.b.
1 cebola média às rodelas
2 dentes de alhos fatiados
400 g de alho francês às rodelas
2 colheres de sopa de caril em pó
1 colher de sopa de gengibre ralado

1 l caldo de galinha
400 g de alface lavada aos pedaços

400 mL de leite de coco
coentros picados e sal q.b.

1. Num tacho refogar a cebola, o alho e o alho francês, no azeite, até dourarem ligeiramente;

2. Adicionar o caril e o gengibre e, mexendo sempre, deixar fritar um pouco;

3. Adicionar o caldo de galinha e a alface. Depois de levantar fervura, cobrir o tacho e deixar cozer em lume brando em torno de 30 min;

4. Retirar do lume. Triturar tudo até obter um caldo homogéneo.

5. Adicionar o leite de coco. Levar de novo a lume brando até ferver, mexendo sempre;

6. Temperar com sal se necessário e adicionar coentros a gosto. Servir.

Já não tem desculpa para desperdiçar alface! Bons aproveitamentos e bom apetite!





21 maio 2018

Pelo na venta não! Sangue na Guelra...


No passado dia 23 de abril, desloquei-me à gare marítima de Alcântara para desfrutar deste simpósio pela primeira vez. Com o mote da sustentabilidade, abordaram-se assuntos preocupantes não apenas para a gastronomia, mas inclusive para a nossa sobrevivência.

A abertura com Francisco Sarmento, responsável da FAO em Portugal, deu o mote para palestras muito interessantes. Trouxe-nos uma reflexão sobre como a Alimentação é abordada nos dias de hoje e como teremos que mudar paradigmas para conseguirmos garantir alimento para todos nos anos vindouros.

Achei interessantíssimo o projeto da Herdade do Freixo do Meio, que usa a agroecologia como principio de gestão. Não se limita a ser uma forma de agricultura biológica, mas sim todo um modo de vida que pretende integrar o consumidor final na fileira de produção, através da sua responsabilização pelo consumo do produto. Fica o link para um video,se quiserem saber mais:

https://www.youtube.com/watch?v=C_eY5l9mt7Y

Foram apresentados dois restaurantes empenhados em reduzir a sua pegada ecológica, numa lógica de upcycling, o BoLan na Tailândia e o Silo em Inglaterra.

Conheci o projeto do Alex Atala no Brasil e a Associação Natureza Portugal, esta última empenhada em garantir a sustentabilidade da pesca em Portugal.

No entanto, só se falou verdadeiramente em desperdício alimentar quando Alexandra Forbes, jornalista de profissão, subiu ao palco para falar sobre o seu projeto, Reffetorio Gastromotiva, um restaurante escola, que reaproveita excedentes alimentares provindos da distribuição, servindo refeições à população carenciada do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, servindo de escola de hotelaria a cidadãos que, de outra forma, não teriam meios para estudar.

É, sem dúvida, um projeto de louvar. Contudo, continuo a achar que o desperdício alimentar da ótica do consumidor final, com os seus números alarmantes, continua a receber muito pouca atenção nos espaços de debate e informação.

Mas, de forma geral, foi uma ótima experiência. Serviu para ver o tema de outros prismas e para conhecer projetos de pessoas, que vão tentando de alguma forma combater a espiral de esgotamento de recursos que atualmente conduz a humanidade. A repetir.

14 maio 2018

Outra vez Arroz!

Isto de aproveitar restos para quem gosta de cozinhar, torna-se rapidamente num teste brilhante à imaginação. Mais uma vez, se existirem crianças em casa, a fasquia é ainda mais elevada. Regra geral não gostam de repetir nada que não sejam os seus pratos favoritos, e se há indícios de que a refeição terá sido feita com as sobras do dia anterior, maior se torna a sua resistência.

O leite creme de arroz fez sucesso. E para além disso pôs-me a pensar. O arroz triturado dá um ótimo espessante. Portanto, sempre que tiver arroz branco de sobra sabemos perfeitamente o que lhe fazer, mas... e os outros?

A gastronomia nacional é pródiga em tipos de arroz. O cardápio abrange combinações tão variadas quanto arroz de cenoura, de grelos, de ervilhas, de tomate, tamboril ou marisco. Temos ainda na categoria dos pratos de carne, o arroz de miúdos, de pato ou o de cabidela. E com facilidade poderíamos continuar...

Ora tanto arroz também dá muitos restos. Sobretudo porque, na maioria dos casos, constitui a porção mais barata da refeição e, portanto, aquela que mais tendemos a exagerar a quantidade. Acho que já disse por ai algures que é proibido congelar arroz. Os cristais de gelo formados corrompem completamente a estrutura e, o que lhe sobrará á saída do congelador, será nada mais do que uma espécie de papa aguada, com uma ligeira semelhança com grãos de arroz pelo meio... pouco atraente diria eu!

Perante as sobras de um arroz de tomate que confecionei outro dia para acompanhar uns filetes, pus mãos à obra. E se dali pudesse sair um creme de marisco, daquele maravilhosamente cremoso?

Creme de Marisco (4 a 6 doses aprox.)

500 a 600 g de arroz de tomate
1 l de caldo de camarão caseiro

100 g de miolo de camarão cozido
sal, piri-piri em pó e coentros picados q.b.

1. Triturar na liquidificadora, ou com o auxílio da varinha mágica, o arroz de tomate com o caldo de marisco, até obter um creme uniforme;

2. Levar ao lume até ferver. Mexer sempre durante 3 a 5 min para não pegar. Retirar do lume.

3. Adicionar o camarão e os temperos a gosto. Servir.

Notas:
-Poderá substituir o caldo de camarão por cubos de compra;
-Se achar demasiado espesso, poderá acrescentar água ou mais caldo de marisco e ferver mais um pouco;
-Não são mencionados alhos nem cebolas na receita, partindo do principio que o arroz terá sido feito com eles. Da mesma forma, prove tudo antes de temperar. Os temperos do arroz poderão ser suficientes para aromatizar o resultado final;
-Em vez de camarão, poderá recorrer a qualquer outro tipo de marisco, delícias do mar ou até restos de lascas de peixe que tenham sobrado de uma refeição anterior, incluindo bacalhau;

E sem natas! Para mim o grande defeito dos cremes era precisamente este. Para obtermos um creme aveludado tínhamos que recorrer às natas como forma de espessamento. Desta forma substitui-se a gordura animal, por hidratos de carbono, fibras e um maior teor em proteína, e principalmente, não se deita arroz nenhum fora.

E o melhor de tudo é que, usando a proporção 1 parte de líquido para meia parte de arroz, pode fazer creme de tudo, aproveitando todos os tipos de arroz. Imagine o que será do seu creme de legumes, quando lhe acrescentar os restos do arroz de cenoura. No final, se houver sopa em excesso, esta sim pode congelar! Só tem que lhe dar uma fervura após a descongelação, para repor a cremosidade. Depois não se esqueça de partilhar os resultados.


Parabéns. Usou a imaginação, limpou o prato e não há restos no frigorífico! 









07 maio 2018

Sem Sobras nem Restos... a peça!

Foi com orgulho e agrado que no dia 20 de Abril, levei a cabo a primeira iniciativa  pública com base neste blog,  em conjunto com o Colégio Penas Real e, com a inestimável ajuda das professoras Rita Miranda e Patrícia Cotão.

A ideia era sensibilizar pais e crianças para a temática do desperdício, recorrendo a uma pequena encenação. O momento da refeição e a lógica de desperdício do casal envolvido, escandalizava a empregada da casa, que arranjava desta forma, maneiras alternativas de reaproveitar o que sobrava.
No final, uma degustação das sugestões mencionadas na peça.

Os meus profundos agradecimentos à escola e às professoras. Foi um sucesso!