21 maio 2018

Pelo na venta não! Sangue na Guelra...


No passado dia 23 de abril, desloquei-me à gare marítima de Alcântara para desfrutar deste simpósio pela primeira vez. Com o mote da sustentabilidade, abordaram-se assuntos preocupantes não apenas para a gastronomia, mas inclusive para a nossa sobrevivência.

A abertura com Francisco Sarmento, responsável da FAO em Portugal, deu o mote para palestras muito interessantes. Trouxe-nos uma reflexão sobre como a Alimentação é abordada nos dias de hoje e como teremos que mudar paradigmas para conseguirmos garantir alimento para todos nos anos vindouros.

Achei interessantíssimo o projeto da Herdade do Freixo do Meio, que usa a agroecologia como principio de gestão. Não se limita a ser uma forma de agricultura biológica, mas sim todo um modo de vida que pretende integrar o consumidor final na fileira de produção, através da sua responsabilização pelo consumo do produto. Fica o link para um video,se quiserem saber mais:

https://www.youtube.com/watch?v=C_eY5l9mt7Y

Foram apresentados dois restaurantes empenhados em reduzir a sua pegada ecológica, numa lógica de upcycling, o BoLan na Tailândia e o Silo em Inglaterra.

Conheci o projeto do Alex Atala no Brasil e a Associação Natureza Portugal, esta última empenhada em garantir a sustentabilidade da pesca em Portugal.

No entanto, só se falou verdadeiramente em desperdício alimentar quando Alexandra Forbes, jornalista de profissão, subiu ao palco para falar sobre o seu projeto, Reffetorio Gastromotiva, um restaurante escola, que reaproveita excedentes alimentares provindos da distribuição, servindo refeições à população carenciada do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, servindo de escola de hotelaria a cidadãos que, de outra forma, não teriam meios para estudar.

É, sem dúvida, um projeto de louvar. Contudo, continuo a achar que o desperdício alimentar da ótica do consumidor final, com os seus números alarmantes, continua a receber muito pouca atenção nos espaços de debate e informação.

Mas, de forma geral, foi uma ótima experiência. Serviu para ver o tema de outros prismas e para conhecer projetos de pessoas, que vão tentando de alguma forma combater a espiral de esgotamento de recursos que atualmente conduz a humanidade. A repetir.

Sem comentários:

Enviar um comentário