A ausência foi prolongada, mas entre o tempo de combater o desperdício e o desperdício que é tentar combater o tempo, confesso que me sobrou pouco tempo para este cantinho.
Já devem ter reparado que o arroz me fascina. É produto muito apreciado pelos portugueses em geral, e por nós cá em casa, em particular. É barato, versátil e saudável. Nada a apontar excepto.... o desperdício!
Calcular quantidades à conta é difícil e, sendo um produto barato, a tendência é fazer sempre em excesso. Há que arranjar forma criativas de surpreender a família com o arroz da véspera.
Esta receita não é minha. "Roubei-a" do guia de combate ao desperdício elaborado pela Associação Portuguesa de Nutricionistas.
Bolas de Arroz (aprox. 4 doses)
3 chávenas de arroz cozido
1 ovo ligeiramente batido
1 colher de sopa de salsa picada
1 colher de sopa de cebola picada
1 colher de chá de pimenta preta moída
½ chávena de farinha de trigo
1 cenoura raspada
Pão ralado
1. Junte todos os ingredientes numa taça, com exceção do pão ralado, e mexa bem
2. Faça bolinhas com a massa
3. Passe as bolinhas por pão ralado e coloque-as num tabuleiro, previamente untado com azeite . Leve ao forno a dourar
Notas:
-Se o arroz for carolino, ou outro com muita "goma", pode dispensar o ovo, sendo que este serve de "cola" e pode ser facilmente dispensado se o arroz tiver goma suficiente.
-Depois de experimentar a primeira vez sem nada, comecei a rechear as bolas, servindo estas de refeição completa. Já experimentei com recheio de bolonhesa, e com ovos mexidos com fiambre. Dê largas à imaginação;
-Sirva com molho de soja, para um toque oriental. Os miúdos cá por casa adoram.
O guia mencionado tem receitas interessantes, que ainda por cima aliam directamente combate ao desperdício a alimentação saudável. Deixo o link para visitarem, guardarem e usarem:
http://www.apn.org.pt/documentos/ebooks/Desperdicio_alimentar.pdf
Bom apetite! Divirta-se e difrute, mas sempre sem sobras nem restos!
Destinado à prevenção e combate ao Desperdício Alimentar pelo consumidor final
18 setembro 2018
20 agosto 2018
Rolo de c...oisas.
Ora o segredo do rolo de carne são os ovos, que se comportam, nada mais nada menos, como cola. Um rolo de carne, originalmente, é feito com carne picada crua, temperada a gosto, bem amassada com um ou dois ovos, dependendo da quantidade. É normalmente recheado com queijo, fiambre ou farinheira, e enrolado em pão ralado e papel de alumínio, onde vai ao forno para cozinhar.
E agora ponham a imaginação a trabalhar. Se os ovos "colam" carne crua, então e se...
Ontem era Domingo. Geralmente, quando fico farta de não fazer nada, o destino é a cozinha. No frigorífico havia pouca coisa, Domingo é geralmente dia de São Caixa, dia em que se consomem os restos do jantar de Sábado que é normalmente variado e para mais gente. Um pedaço de leitão assado para uma pessoa, meia embalagem de linguiça, três cenouras, ovos e um restito de queijo flamengo eram os ingredientes à disposição. Perante este cenário, a primeira opção seria normalmente omelete, mas eu também queria aproveitar as cenouras. E se...
Rolo de Leitão e Cenoura (3 a 4 pessoas)
1 cebola média
3 dentes de alho
300g a 400g de leitão assado
2 linguiças
3 cenouras médias
4 a 5 fatias de queijo flamengo aos bocadinhos
2 ovos
Noz moscada, pimenta preta, salsa picada q.b.
Pão Ralado q.b.
Azeite em spray
1. Pique a cebola, o alho, o leitão, a linguiça e as cenouras para dentro duma taça.
2. Junte o queijo e os dois ovos batidos. Tempere a gosto com noz moscada, pimenta e salsa
3. Amasse tudo com as mãos até obter um preparado húmido e uniforme. Deverá ser moldável. Se ainda achar muito seco, adicione mais um ovo
4. Cubra uma folha de alumínio comprida com pão ralado. Aos poucos vá calcando pedaços da mistura em cima da folha, atér formar um retângulo com cerca de um cm de altura.
5. Com o auxilio da folha de alumínio, enrole o rolo como se fosse uma torta. Coloque-o numa travessa de forno, untada com azeite. Borrife o rolo com azeite e leve ao forno,a 200 ͦ C. durante cerca de 30 min.
Sirva com uma salada verde
Notas:
-A ausência de sal nos temperos deve-se ao facto de fazerem parte da receita ingredientes normalmente salgados como a linguiça e o próprio leitão;
- Aqui o forno tem o papel de tostar o rolo e cozinhar os ovos. Se fizerem parte da receita, ingredientes crus que necessitem de cozedura, será necessário mais tempo de forno e manter, numa fase inicial, o rolo embrulhado no papel de alumínio, de forma a cozinharem sem queimar.
-O azeite em spray é mais pratico, mas poderá pincelar o rolo com azeite em garrafa. Cuidado para não tirar o pão ralado e para não por azeite em excesso.
Ponha a sua imaginação ao serviço e os mais pequenos a comerem legumes sem darem conta. Aproveite restos de carnes frias e queijos. Abóbora, curgete, alho francês, couve flor, espinafres, agrião...Use cerca de dois ovos por cada meio kilo de rolo.
Limpou o frigorífico? Boa! Já podemos começar a pensar nas refeições da semana que vem... sem sobras nem restos!
03 agosto 2018
É frut'ó cho.... gelado!
E ai está o calor em todo o seu esplendor. Para desespero de muitos e regozijo de alguns, como eu, que devo ter sangue de réptil, e preciso da minha quota parte de calor para me sentir no Verão.
As crianças podem constituir um desafio no Verão, quer ocupacional, quer nutritivo. Perfeito, perfeito seria sossegadinhos na espreguiçadeira, à sombrinha na hora do calor, a comerem a sua frutinha, enquanto nós líamos o nosso livrinho eleito para as férias. Cenário que tem tanto de idílico como de impossível! Pelo menos por estas bandas...
Se por um lado até não me saio mal com a parte nutritiva, a parte ocupacional torna-se um desafio. Sorte a minha que o pequeno adora cozinha e é difícil conseguir fechar-me lá sozinha em épocas de férias. Gosto então de criar e recriar receitas onde ele também possa participar.
Tempo quente aumenta em nós a necessidade de frutas e legumes. E convém dar ouvidos às nossas vontades, uma vez que o nosso organismo nos alerta assim para a necessidade de ingerirmos maior quantidade de água, vitaminas e sais minerais, que perdemos em muito maior taxa devido à transpiração.
Acho que nada suplanta uma bela talhada de melancia fresca numa tarde de calor. O verdadeiro problema chega na hora de escoar uma melancia de 10 kg em tempo útil, numa casa onde moram 4 pessoas e em que duas delas nem são grandes fãs.
Já aqui há tempos falei da questão de congelarmos a fruta para sumos e batidos, mas e se fizessemos... gelados!
Fui á loja do chinês (lamentavelmente procurei nas superfícies comerciais habituais e não encontrei nada do género), adquiri umas forminhas para gelado em plástico. Chegada a casa, triturei a melancia em excesso com a varinha mágica e dei o jarro ao Zé para que ele distribuísse o gelado pelas formas e deixei de um dia para o outro.
O resultado não podia ter sido mais satisfatório e tenho neste momento o meu filho, fraco apreciador de melancia, a comer os gelados da dita, com a maior das satisfações. Desde então experimentámos com kiwi e pêssego com canela. Ainda não sobrou nenhum.
Se quiser complicar mais um pouco, adicione iogurte natural, raspas de chocolate negro e experimente com diferentes combinações. Deixe sempre espaço nas formas para a dilatação devida à solidificação da água e aproveite toda a fruta que tenha já poucas probabilidades de vir a ser consumida.
Divertiu os seus filhos, aproveitou a fruta demasiado madura e tem o prazer de os ver a comer coisas saudáveis, sem açucares adicionados e a gostarem. E viva o Verão, sem sobras nem restos!
As crianças podem constituir um desafio no Verão, quer ocupacional, quer nutritivo. Perfeito, perfeito seria sossegadinhos na espreguiçadeira, à sombrinha na hora do calor, a comerem a sua frutinha, enquanto nós líamos o nosso livrinho eleito para as férias. Cenário que tem tanto de idílico como de impossível! Pelo menos por estas bandas...
Se por um lado até não me saio mal com a parte nutritiva, a parte ocupacional torna-se um desafio. Sorte a minha que o pequeno adora cozinha e é difícil conseguir fechar-me lá sozinha em épocas de férias. Gosto então de criar e recriar receitas onde ele também possa participar.
Tempo quente aumenta em nós a necessidade de frutas e legumes. E convém dar ouvidos às nossas vontades, uma vez que o nosso organismo nos alerta assim para a necessidade de ingerirmos maior quantidade de água, vitaminas e sais minerais, que perdemos em muito maior taxa devido à transpiração.
Acho que nada suplanta uma bela talhada de melancia fresca numa tarde de calor. O verdadeiro problema chega na hora de escoar uma melancia de 10 kg em tempo útil, numa casa onde moram 4 pessoas e em que duas delas nem são grandes fãs.
Já aqui há tempos falei da questão de congelarmos a fruta para sumos e batidos, mas e se fizessemos... gelados!
Fui á loja do chinês (lamentavelmente procurei nas superfícies comerciais habituais e não encontrei nada do género), adquiri umas forminhas para gelado em plástico. Chegada a casa, triturei a melancia em excesso com a varinha mágica e dei o jarro ao Zé para que ele distribuísse o gelado pelas formas e deixei de um dia para o outro.
O resultado não podia ter sido mais satisfatório e tenho neste momento o meu filho, fraco apreciador de melancia, a comer os gelados da dita, com a maior das satisfações. Desde então experimentámos com kiwi e pêssego com canela. Ainda não sobrou nenhum.
Se quiser complicar mais um pouco, adicione iogurte natural, raspas de chocolate negro e experimente com diferentes combinações. Deixe sempre espaço nas formas para a dilatação devida à solidificação da água e aproveite toda a fruta que tenha já poucas probabilidades de vir a ser consumida.
Divertiu os seus filhos, aproveitou a fruta demasiado madura e tem o prazer de os ver a comer coisas saudáveis, sem açucares adicionados e a gostarem. E viva o Verão, sem sobras nem restos!
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26 julho 2018
Algaraviada em saladas
Quando estamos em casa, no meio das nossas máquinas e utensílios, é fácil recorrer a soluções como empadões, rolos ou croquetes para dar vazão às sobras. As férias trazem-nos ambientes diferentes e também alguma vontade de nos mantermos longe das nossas tarefas do dia a dia. Assim, a solução que arranjei foram as saladas.
Perfeitas para o almoço ligeiro à beira da piscina, disponíveis para toda a variedade e feitio, na prateleira do supermercado mais próximo, passei a optar pelas que é só abrir o saco e temperar. A carne que sobra é desfiada ou cortada aos cubos. Et voilá, o seu almoço de Verão, saudável e leve como se quer, está disponível em questão de minutos.
Hoje foi curto que estou de férias. Ainda assim, não há desculpa para estragar.
20 julho 2018
Sua casca grossa!
Partes comestíveis dos alimentos é uma dimensão do problema do desperdício altamente discutível. Quando falamos então de cascas, ficará provavelmente surpreendido com os diferentes destinos que lhes poderá dar que não o caixote do lixo. Apresento aqui alguns, mas acredito que hajam muitos mais. Aguardo comentários relativamente a possíveis usos.
-Laranja: É fato que comer laranja com casca está fora de questão, no entanto, fazer bolo de laranja com a casca incluída, já é uma historia totalmente diferente. Há receitas espalhadas pela internet fora que recorrem à liquidificadora e prevêem a introdução da laranja inteira para triturar junto com os restantes ingredientes. Pessoalmente nunca experimentei, mas já provei um feito dessa maneira e é maravilhoso.
Com a casca da laranja pode ainda fazer doce, fervendo as mesmas durante uma hora com água, açúcar e 1 pau de canela. Use o mesmo peso de açúcar que casca de laranja e metade da quantidade de água. Ferva lentamente durante uma hora ou até alcançar a consistência desejada.
Se souber fazer frutas cristalizadas ( eu nunca experimentei), casca de laranja é um pitéu. Se tudo o resto for demasiado doce para o seu gosto, enfie as cascas na trituradora depois de lhes retirar o máximo daquele polme branco esponjoso e congele a raspa. É ótimo para temperar carne assada, sobretudo de aves. Revolucione o seu pato com laranja, diminuindo a sua pegada ecológica.
Se tiver uma horta, as cascas de citrinos são óptimas para afastar caracóis, além de contribuir para adubar a terra. Fervê-las em água deixa um cheirinho maravilhoso pela casa;
-Limão: Cá por casa é fruto que não falta nos temperos. Os rapazes sobretudo não o dispensam e até por cima do esparguete são frequentemente deitadas gotas generosas de limão. Ora tanto sumo de limão deixa muita carcaça. Geralmente o destino é mais uma vez o congelador. A lógica da casca de limão que tantas vezes deixava os desgraçados nus no frigorífico, foi invertida. E a casca de limão congelada mantém todas as propriedades. Uso-a para tudo, desde o arroz doce até ao chá;
-Curgete: tirando quando faço caldo verde ( que fica demasiado escuro se não descascar), há muito que deixei de tirar a casca à curgete. Seja para saltear, para a sopa ou para outro uso qualquer, é lavada e cortada em pedaços. Além do desperdício que se evita, a dieta agradece. Aumentamos consideravelmente a quantidade de fibras ingeridas mantendo a casca na maioria dos vegetais e frutas;
-Batata: Virou receita da moda. Não há como fugir à casca de batata frita, que se confeccionam exactamente como se da própria batata frita se tratasse. Eu, que já me habituei ao descascador, quando descasco, pouca casca deixo para contar a história. Por isso prefiro não descascar. Ou seja, lavando bem, as batatas ficam maravilhosas fritas com a casca. Até cozidas gosto delas, se bem que neste caso prefiro a batata nova que tem a pele mais fininha.
-Ovos: E aposto que já se assustou. A malfadada casca dos ovos, com a má fama da Salmonela?! Não pode ser. Para comer, que eu saiba, não. Mas há duas utilizações que eu não podia deixar aqui escapar pela sua tremenda utilidade, que ainda por cima são complementares.
A primeira agradeço à minha cara colega Raquel, que noutro dia me deu esta dica maravilhosa. Guarde as cascas de ovos numa caixa, para sempre que precisar (se as lavar, não ganham cheiro), partindo-as o menos possivel. Sempre que tiver lâminas de máquinas que precisem duma afiadela- robot de cozinha, liquidificadora, varinha mágica, etc- deite uma quantidade de cascas lá para dentro e triture e pronto! Tem as usas laminas afiadas. Já experimentei na picadora e pareceu-me efectivamente mais afiada. Estou à espera de feedback.
Não deitou as cascas de ovo trituradas fora espero. Espalhe-as na sua horta ou nos seus vasos de aromáticas. São uma fonte maravilhosa de Cálcio, alén de que dizem afastar as formigas, mas dessa última estou à espera de confirmação.
E por amor da sua saúde, frutas com pele agradável, como a pêra, o pêssego, a maçã... coma-as à dentada sem deitar nada fora. A quantidade de fibras que ingere são óptimas para si e mais uma vez o lixo agradece.
Este assunto teria muito mais para dizer, mas o post já vai longo. Descasque o problema do desperdício, começando por dar uso às suas cascas. Aqui, sobretudo o meio ambiente agradece. E mais uma vez, não houve sobras nem restos
-Laranja: É fato que comer laranja com casca está fora de questão, no entanto, fazer bolo de laranja com a casca incluída, já é uma historia totalmente diferente. Há receitas espalhadas pela internet fora que recorrem à liquidificadora e prevêem a introdução da laranja inteira para triturar junto com os restantes ingredientes. Pessoalmente nunca experimentei, mas já provei um feito dessa maneira e é maravilhoso.
Com a casca da laranja pode ainda fazer doce, fervendo as mesmas durante uma hora com água, açúcar e 1 pau de canela. Use o mesmo peso de açúcar que casca de laranja e metade da quantidade de água. Ferva lentamente durante uma hora ou até alcançar a consistência desejada.
Se souber fazer frutas cristalizadas ( eu nunca experimentei), casca de laranja é um pitéu. Se tudo o resto for demasiado doce para o seu gosto, enfie as cascas na trituradora depois de lhes retirar o máximo daquele polme branco esponjoso e congele a raspa. É ótimo para temperar carne assada, sobretudo de aves. Revolucione o seu pato com laranja, diminuindo a sua pegada ecológica.
Se tiver uma horta, as cascas de citrinos são óptimas para afastar caracóis, além de contribuir para adubar a terra. Fervê-las em água deixa um cheirinho maravilhoso pela casa;
-Limão: Cá por casa é fruto que não falta nos temperos. Os rapazes sobretudo não o dispensam e até por cima do esparguete são frequentemente deitadas gotas generosas de limão. Ora tanto sumo de limão deixa muita carcaça. Geralmente o destino é mais uma vez o congelador. A lógica da casca de limão que tantas vezes deixava os desgraçados nus no frigorífico, foi invertida. E a casca de limão congelada mantém todas as propriedades. Uso-a para tudo, desde o arroz doce até ao chá;
-Curgete: tirando quando faço caldo verde ( que fica demasiado escuro se não descascar), há muito que deixei de tirar a casca à curgete. Seja para saltear, para a sopa ou para outro uso qualquer, é lavada e cortada em pedaços. Além do desperdício que se evita, a dieta agradece. Aumentamos consideravelmente a quantidade de fibras ingeridas mantendo a casca na maioria dos vegetais e frutas;
-Batata: Virou receita da moda. Não há como fugir à casca de batata frita, que se confeccionam exactamente como se da própria batata frita se tratasse. Eu, que já me habituei ao descascador, quando descasco, pouca casca deixo para contar a história. Por isso prefiro não descascar. Ou seja, lavando bem, as batatas ficam maravilhosas fritas com a casca. Até cozidas gosto delas, se bem que neste caso prefiro a batata nova que tem a pele mais fininha.
-Ovos: E aposto que já se assustou. A malfadada casca dos ovos, com a má fama da Salmonela?! Não pode ser. Para comer, que eu saiba, não. Mas há duas utilizações que eu não podia deixar aqui escapar pela sua tremenda utilidade, que ainda por cima são complementares.
A primeira agradeço à minha cara colega Raquel, que noutro dia me deu esta dica maravilhosa. Guarde as cascas de ovos numa caixa, para sempre que precisar (se as lavar, não ganham cheiro), partindo-as o menos possivel. Sempre que tiver lâminas de máquinas que precisem duma afiadela- robot de cozinha, liquidificadora, varinha mágica, etc- deite uma quantidade de cascas lá para dentro e triture e pronto! Tem as usas laminas afiadas. Já experimentei na picadora e pareceu-me efectivamente mais afiada. Estou à espera de feedback.
Não deitou as cascas de ovo trituradas fora espero. Espalhe-as na sua horta ou nos seus vasos de aromáticas. São uma fonte maravilhosa de Cálcio, alén de que dizem afastar as formigas, mas dessa última estou à espera de confirmação.
E por amor da sua saúde, frutas com pele agradável, como a pêra, o pêssego, a maçã... coma-as à dentada sem deitar nada fora. A quantidade de fibras que ingere são óptimas para si e mais uma vez o lixo agradece.
Este assunto teria muito mais para dizer, mas o post já vai longo. Descasque o problema do desperdício, começando por dar uso às suas cascas. Aqui, sobretudo o meio ambiente agradece. E mais uma vez, não houve sobras nem restos
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13 julho 2018
Depressa e bem!
Somos um ser critico por excelência. Vem fácil o reparar em tudo o que está mal. De vez em quando gosto por isso de parar um pouco para apreciar quem faz bem feito.
"Leve o que precisar, dê o que puder" é o lema de um supermercado que abriu recentemente na Austrália, onde os bens "comercializados" são inteiramente gratuitos. Produtos que se aproximam do final da sua validade são aqui distribuídos por pessoas e famílias carenciadas. A OzHarvest, ONG responsável pelo projeto, facilita assim a ponte entre hotéis, restaurantes e supermercados, ajudando na realocação de alimentos, que de outra forma encontrariam o seu destino no fundo do saco do lixo.
Em Itália já temos mesmo medidas legislativas no sentido de travar o desperdício, tendo já reduzido a carga fiscal dos restaurantes que doem os alimentos que seriam deitados fora no final do dia.
E nestas coisas do desperdício alimentar já há quem faça muito e bem. Para além de uma ou outra pessoa que me vai dando feedback sobre o que vai fazendo em casa, existem associações e agrupamentos de combate um pouco para todos os gostos.
"Leve o que precisar, dê o que puder" é o lema de um supermercado que abriu recentemente na Austrália, onde os bens "comercializados" são inteiramente gratuitos. Produtos que se aproximam do final da sua validade são aqui distribuídos por pessoas e famílias carenciadas. A OzHarvest, ONG responsável pelo projeto, facilita assim a ponte entre hotéis, restaurantes e supermercados, ajudando na realocação de alimentos, que de outra forma encontrariam o seu destino no fundo do saco do lixo.
Por terras brasileiras, mais concretamente na Bahia, existe um supermercado com uma secção dedidcada à doação de produtos em final de prazo. Desde frutas a legumes, passando por enlatados, encontra-se de tudo um pouco.
Do Reino Unido chega-nos uma solução tecnológica. Desde 2016 a FareShare funciona em conjunto com a cadeia de supermercados Tesco, no sentido de diminuir o desperdicio gerado na distribuição. O Community Food Connection é um projeto piloto que opera através de uma aplicação, a FareShare FoodCloud. O supermercado respetivo indica que tipo de alimentos e as quantidades que sobram naquele dia para doação, e as instituições locais cadastradas recebem uma mensagem informativa para que possam proceder ao levantamento dos bens alimentícios.
Em Itália já temos mesmo medidas legislativas no sentido de travar o desperdício, tendo já reduzido a carga fiscal dos restaurantes que doem os alimentos que seriam deitados fora no final do dia.
Mas não pense que só lá por fora é que se faz, porque por cá também já se vai fazendo e bem. A Refood é um exemplo disso. Espalhada um pouco por todo o pais, organizada em pequenas divisões locais, recolhe os excedentes da restauração e outros similares e distribui por quem precisa.
Já ouviu falar da Fruta Feia. Se não saiba que "Gente bonita come fruta feia!". Este é o mote da cooperativa que opera desde 2013 e que tem como objetivo o combate as perdas alimentares no setor primário. Fazem distribuição semanal de cabazes mediante inscrição no site, para o qual deixo o link:
https://frutafeia.pt
E pronto! Já falei um pouco das iniciativas que me vão inspirando nesta batalha contra o desperdício. Também o inspiraram a si? Boa! Não precisa de fundar uma associação. Comece o combate agora, em sua casa! Sem sobras nem restos....
Boa semana
04 julho 2018
Festas de anos... um cenário pós guerra.
O mês de Junho é, para mim, uma espécie de tornado festivo, bem pior que Dezembro. É o mês de aniversário de, nada mais, nada menos, do que três membros da família. Isto resulta em três festas para organizar, e, no caso da ultima, que costuma ser para mais pessoas, num descalabro alimentar para resolver. Muito deste desastre consigo prevenir com alguns truques, que aqui deixo, caso seja daqueles/as que faz questão de organizar as suas festas em casa:
-Faça os doces em tacinhas pequenas, de preferência com tampa. Poderá pô-los na mesa à medida que se forem consumindo, evitando que se estraguem e aumentando o seu tempo de vida pós-festa;
-Recorra a loiça pequena, sejam pratos ou copos. Diminuirá o fenómeno "mais olhos que barriga" e as bancadas cheias de pratos e copos com restos por consumir;
- Vá fazendo as sandes a pouco e pouco. Pão e carnes frias bem acondicionadas são mais facilmente conserváveis no seu estado original, do que sandes já feitas;
-Guarde as embalagens das batatas fritas. Se sobrarem poderá devolve-las ao pacote para as consumir mais tarde;
-Se tiver incluído almoço e jantar na festa, opte por pratos que possam ser congelados ou de fácil reconversão. Do meu cardápio festivo fazem sempre parte o frango assado, o bacalhau com natas e o arroz de pato: os últimos dois congelam bem e o primeiro serve para uma enormidade de aplicações posteriores;
-Disponibilize poucas gomas, rebuçados ou batatas fritas, ou dê-as só na altura do bolo ou nas lembranças. Para além de ser coisa que não faz falta nenhuma aos miúdos, fará com que eles não comam mais nada no intervalo das brincadeiras;
-Previna o seu espaço no frigorífico e no congelador para o que vem a seguir. Deixe a semana seguinte às festas sem compras. É possível que passe a semana a comer restos.
Mesmo seguindo um critério rigoroso relativamente a produtos e quantidades, as sobras são inevitáveis. Aqui seguem alguns pontos que auxiliam na hora de evitar o desperdício:
-Congele a gelatina e a mousse de chocolate. No caso da gelatina pode nem descongelar antes de consumir, dando um gelado interessante;
-Congele todos os bolos! Vai querer fazer uma limpeza de açúcar nos dias que ai vêm e os bolos acabarão por se estragar no frigorífico. Se houver bolos muitos grandes, congele-os em porções. Darão um belo brinde de fim de semana para as crianças;
-Congele as sandes que sobram, ou o pão de forma e carnes frias e/ou queijo que comprou em excesso para as fazer;
-A salada de frutas dará um ótimo batido. Se tiver posto vinho do Porto ou outro álcool no molho, faça da salada de frutas uma base para Sangria. Já está a fruta cortada e tudo!
-Todas as refeições que congelar, faça-o em doses individuais;
E pronto! Agora é só lavar a loiça e a sua festa não deixou nem rasto nem resto!
-Faça os doces em tacinhas pequenas, de preferência com tampa. Poderá pô-los na mesa à medida que se forem consumindo, evitando que se estraguem e aumentando o seu tempo de vida pós-festa;
-Recorra a loiça pequena, sejam pratos ou copos. Diminuirá o fenómeno "mais olhos que barriga" e as bancadas cheias de pratos e copos com restos por consumir;
- Vá fazendo as sandes a pouco e pouco. Pão e carnes frias bem acondicionadas são mais facilmente conserváveis no seu estado original, do que sandes já feitas;
-Guarde as embalagens das batatas fritas. Se sobrarem poderá devolve-las ao pacote para as consumir mais tarde;
-Se tiver incluído almoço e jantar na festa, opte por pratos que possam ser congelados ou de fácil reconversão. Do meu cardápio festivo fazem sempre parte o frango assado, o bacalhau com natas e o arroz de pato: os últimos dois congelam bem e o primeiro serve para uma enormidade de aplicações posteriores;
-Disponibilize poucas gomas, rebuçados ou batatas fritas, ou dê-as só na altura do bolo ou nas lembranças. Para além de ser coisa que não faz falta nenhuma aos miúdos, fará com que eles não comam mais nada no intervalo das brincadeiras;
-Previna o seu espaço no frigorífico e no congelador para o que vem a seguir. Deixe a semana seguinte às festas sem compras. É possível que passe a semana a comer restos.
Mesmo seguindo um critério rigoroso relativamente a produtos e quantidades, as sobras são inevitáveis. Aqui seguem alguns pontos que auxiliam na hora de evitar o desperdício:
-Congele a gelatina e a mousse de chocolate. No caso da gelatina pode nem descongelar antes de consumir, dando um gelado interessante;
-Congele todos os bolos! Vai querer fazer uma limpeza de açúcar nos dias que ai vêm e os bolos acabarão por se estragar no frigorífico. Se houver bolos muitos grandes, congele-os em porções. Darão um belo brinde de fim de semana para as crianças;
-Congele as sandes que sobram, ou o pão de forma e carnes frias e/ou queijo que comprou em excesso para as fazer;
-A salada de frutas dará um ótimo batido. Se tiver posto vinho do Porto ou outro álcool no molho, faça da salada de frutas uma base para Sangria. Já está a fruta cortada e tudo!
-Todas as refeições que congelar, faça-o em doses individuais;
E pronto! Agora é só lavar a loiça e a sua festa não deixou nem rasto nem resto!
27 junho 2018
Pataniscas de... qualquer coisa!
A bela da patanisca de bacalhau faz parte do cardápio tradicional lisboeta, sendo uma das imagens de marca da capital. E há poucos almoços que ultrapassem o conforto de umas pataniscas de bacalhau com arroz de feijão.
É, para além do mais, iguaria fácil de confeccionar e, ótima para aproveitar restos de bacalhau ou as partes menos "nobres", mas será só?
Filetes panados é coisa que se repete muitas vezes cá por casa, uma vez que os miúdos gostam bastante e é uma das formas que tenho de os por a comer peixe. Confesso que sobra sempre, desta feita por culpa minha, que tenho sempre medo que falte. Desde que adquiri a fritadeira de ar quente, consigo devolve-los ao "estado estaladiço", mas antes disso, se houve coisa a que nunca achei muita graça, são panados frios.
Assim comecei a testar a minha receita de pataniscas com outra coisa que não bacalhau. Segue a receita de pataniscas de filetes de pescada:
Pataniscas de pescada (4 a 6 pessoas aprox)
200
gr de filetes de pescada panados
200
gr de cebola
300 gr de farinha
4 ovos
sal, pimenta e salsa picada q.b.
óleo q.b.
1. Retirar o panado dos filetes. Lascar o peixe para uma taça. Reservar
2. Bater os ingredientes todos à excepção do peixe, até obter um preparado homogéneo.
3. Adicionar o peixe e bater mais um pouco até homgeneizar o preparado
4. Frita-se o preparado às
colheradas em óleo bem quente. Secam-se bem com papel absorvente e servem-se
quentes com arroz de tomate e salada.
Notas:
-Qualquer tipo de peixe que confeccionei em filete, resultou bem neste tipo de aproveitamento;
-É bom para aproveitar restos de peixe grelhado ou cozido -dourada, robalo, peixe espada.
-Camarão, polvo e lula resultam bem.
-Vegetais salteados e cogumelos também poderão ser aproveitados desta forma aproximando-se muito de uma outra receita tradicional nossa conhecida- os peixinhos da horta.
Vá experimentando, vá aproveitando e vá melhorando o mundo, a partir da sua casa, bocadinho a bocadinho.
11 junho 2018
Olha a batata frita!
Das coisas que mais se desperdiçam são batatas fritas. Isto porque é coisa gulosa, significa "pecado à mesa" e quando tem autorização de lá chegar, chega com honras de estado e em quantidades avantajadas. Ora, tanta gula dá geralmente em asneira, e a asneira neste caso acaba no lixo!
Batatas fritas frias é coisa que, geralmente, tirando gostos mais excêntricos, não se apreciam. Aquecidas no microondas também está fora de questão, porque perdem toda a crocância. A principio parece um caso totalmente perdido, mas...
Se as quiser reaproveitar como batatas fritas, pode congelá-las depois de bem escorridas e secas e voltar a fritá-las diretamente do congelador. Pode também guardá-las no frigorífico durante dois ou três dias e voltar a dar-lhes um entalão no óleo ou na fritadeira de ar quente, sendo que esta segunda opção é bem mais saudável. Atenção aos tempos de fritura. Não é o mesmo que fritá-las pela primeira vez. Irão escurecer muito rapidamente. Quer apenas mante-las tempo suficiente para restabelecer o "estado estaladiço". 2 a 3 min é geralmente mais do que suficiente. Não se esqueça também de que já lhes deitou sal uma vez.
Depois, usando razoáveis doses de imaginação, pode integrá-las noutras refeições. Eu uso-as em receitas banais como bacalhau à braz ou bacalhau com natas. Pode ainda fazer uma tortilha que, para quem não sabe o que é, não passa de uma espécie de omelete com batata dentro. Corte os palitos em cubos (ou se forem as rodelas, pode cortá-las em tiras ou quadrados mais pequenos) e deite-os directamente na frigideira onde está a cozinhar a sua omelete, logo após ter deitado os ovos e restantes ingredientes. Acompanhe com uma salada e tem uma refeição completa.
Há ainda soluções mais estranhas, do tipo doce. Pessoalmente não sou apologista, mas há quem diga que um pratinho de batatas fritas, aquecido no microondas, com uma bola de gelado de baunilha coberta de Nutella, é a melhor sobremesa do mundo.
Se tiverem mais soluções para o jogo da batata frita, partilhem. Passo a passo, vamos reduzindo o desperdício.
Parabéns por mais um dia a salvar o planeta!
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04 junho 2018
Tens restos?! "Pizza-os"!
Cá por casa, a pizza é o prato preferido do jantar de sexta-feira.
E se por um lado, mandá-la vir da nossa pizzaria preferida satisfaz o paladar e
a preguiça, quando tenho tempo gosto de faze-la de raiz. Sai incomparavelmente
mais barata, os miúdos adoram participar, há para todos os gostos e permite o
aproveitamento de um pouco de tudo que foi ficando para trás no frigorífico,
durante a semana. E o melhor de tudo é que as quantidades necessárias de cada
ingrediente são sempre pequenas, permitindo aproveitar mesmo tudo!
Se tiver medo de se arriscar
com a massa inicialmente, na secção de massas frescas do seu supermercado de
eleição, já as vendem para todos os gostos, desde as fininhas às tipo
americano, altas e fofas.
Se quiser arriscar, deixo uma
das minhas receitas favoritas, na sua versão mais saudável, com parte de
farinha integral:
Massa de pizza "alta e fofa" (4 a 6 pizzas individuais
aproximadamente):
8 g de fermento de padeiro seco
ou 20 g de fermento de padeiro fresco
350 ml de água morna
300 g de farinha de trigo T65
sem fermento
200 g de farinha de trigo
integral
1 colher de chá de sal grosso
(rasa)
Azeite e farinha de trigo T65
q.b.
1. Dissolver o fermento em 300
mL da água morna. Se estiver a usar fermento seco deixar repousar cerca de 10
min até notar uma espécie de espuma à superfície (está a ativar a levedura);
2. Numa taça colocar a farinha,
a mistura de água e fermento e o sal, Misturar os ingredientes até obter massa
"empapada";
3. Passar a mistura para a
bancada. MUITO IMPORTANTE: Não enfarinhar a bancada! A massa vai parecer
demasiado líquida. É a amassadura da farinha de trigo que lhe vai dando
elasticidade. Quanto mais amassar, mais facilmente ela se irá descolar das
superfícies e das mãos. Amassar por isso até este ponto, adicionando aos poucos
a restante água. Formar uma bola. Deixar descansar em torno de meia hora, numa
taça untada com azeite;
4. Cortar a bola em 4 ou 6
unidades (consoante o número e tamanho de pizzas desejado). Na bancada, agora
sim, enfarinhada, com ajuda dos nós dos dedos estendê-las até obter uma base
fina. Colocar num tabuleiro untado com azeite e tapar com um pano. Deixar
levedar cerca de uma hora dentro do forno apagado;
5. A massa leva em torno de 30
min a cozer, em forno pré aquecido a 220 °C. Poderá fazê-lo diretamente no
tabuleiro onde levedaram, ou idealmente, recorrendo a uma espátula ou pá para
mover as pizzas pré-preparadas, em cima de uma pedra de forno pré aquecida no
mesmo.
Notas:
-Se tiver um robot de cozinha com pá própria para amassar pão,
poderá amassar lá a sua massa, seguindo o mesmo procedimento de ir adicionando
aos poucos a água restante. Quando a massa se descolar completamente da taça
está pronta;
-A massa pode ser congelada, após levedada e pode ser usada
diretamente do congelador. Neste caso, introduza-a durante 10 min no forno pré
aquecido, antes de montar a pizza;
| Preocupe-se pouco na hora de dar forma às pizzas. Cá por casa os miúdos adoram ensaiar corações, continentes, animais e todo o tipo de formas. Estas saíram das mãos do mais novo: um coração e um urso! |
-Se quiser prepara a massa de véspera pode. Em vez de a deixar
levedar no forno apagado, deixe-a levedar no frigorífico.
Até pode acontecer que tenha um percalço ou outro nas primeiras
vezes, mas assim que acertar com a massa, acredite que aí por casa nunca mais
vão querer outra coisa!
Outro ponto importante na construção de uma pizza é, como é óbvio,
o molho de tomate. Aqui vai a receita que uso sempre, sem exceção:
Molho de tomate (4 a 6
pizzas individuais aproximadamente):
Azeite q.b.
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
780 g de tomate pelado em lata
Manjericão, orégãos, pimenta e sal q.b.
1 colher de chá de açucar
1.Num tacho, fazer um refogado com a cebola e os alhos, até a
cebola ficar transparente;
2. Adicionar o tomate cortado em pedaços, bem como o molho da
lata. Deixar ferver em lume brando durante cerca de quinze minutos, mexendo de
vez em quando para não pegar;
3.Temperar a gosto com o manjericão, os orégãos, o sal e a
pimenta. Tirar do lume. Triturar tudo;
4. Introduzir o açúcar e mexer bem para homogeneizar.
Notas:
-Se tiver tomates frescos, pode introduzi-los diretamente no
refogado. É uma ótima forma de aproveitar tomate que está prestes a
estragar-se! No final, passe o molho por um passador, de modo a remover as peles
do tomate que não tenham sido trituradas.
-Muitas vezes sobra molho. Pode congelá-lo numa caixa de plástico
ou de vidro para o efeito, para futuras utilizações.
E agora vem a parte engraçada: compor as suas pizzas a gosto! E no
que toca a aproveitar é aqui que fazemos a limpeza do frigorífico.
Montagem das pizzas:
1.Espalhar o molho de tomate a gosto, por cima da massa, deixando
uma pequena margem;
2.Dispor os ingredientes selecionados uniformemente por cima do
molho. Cobrir com o queijo selecionado;
3.Aromatizar com orégãos. Levar ao forno pré aquecido a 220 °C,
durante 30 min
Muitas vezes, em vez de queijo mozarela de base, uso o queijo flamengo
em barra, cortado em fios estreitos com auxílio duma faca. Sugiro algumas
composições:
-Pizza de carnes frias: mortadela com azeitonas e fiambre cortado
às tiras, presunto, chouriço aos cubos e azeitonas; queijo flamengo ou mozarela;
-Pizza de bacalhau: bacalhau desfiado; chouriço aos cubos; pimento
verde e/ou vermelho cortado às fatias; azeitonas; queijo “tipo da serra”,
qualquer queijo de vaca ou ovelha semi-amanteigado;
-Pizza “veggie”: restos de legumes cozidos- bróculos, couve-flor e
cenouras, por exemplo- cebola em fatias finas; azeitonas; cogumelos; pickles;
queijo da ilha, de cabra, qualquer queijo com aromas fortes.
Pode terminar a sua refeição com uma maravilhosa pizza doce, substituindo
o molho de tomate por Nutella, chocolate negro ou branco derretido, ou uma
mistura dos anteriores, guarnecida com restos de fruta que tenha por ai a
ameaçarem apodrecer. Neste caso, a fruta é introduzida na pizza, após a
cozedura.
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28 maio 2018
Malvada Alface!
Aposto que, por muito organizada/o que seja com as suas compras, há sempre umas folhinhas de alface que se estragam na gaveta do frigorífico. Se bem que "estragar" é um termo muito forte! É facto que alface como esta que está na foto aqui por cima, está longe de estar em condições para fazer uma salada.
Na verdade, a maior parte dos estragos da alface devem-se à perda de água nas células, deixando as folhas "murchas". Mas nada nos impede de usar essas folhas numa sopa por exemplo. E se gostar de aromas mais exóticos, não tarda nada está a comprar alface, só para confecionar este creme.
Creme de Alface (para 6 a 8 doses aprox.)
Azeite q.b.
1 cebola média às rodelas
2 dentes de alhos fatiados
400 g de alho francês às rodelas
2 colheres de sopa de caril em pó
1 colher de sopa de gengibre ralado
1 l caldo de galinha
400 g de alface lavada aos pedaços
400 mL de leite de coco
coentros picados e sal q.b.
1. Num tacho refogar a cebola, o alho e o alho francês, no azeite, até dourarem ligeiramente;
2. Adicionar o caril e o gengibre e, mexendo sempre, deixar fritar um pouco;
3. Adicionar o caldo de galinha e a alface. Depois de levantar fervura, cobrir o tacho e deixar cozer em lume brando em torno de 30 min;
4. Retirar do lume. Triturar tudo até obter um caldo homogéneo.
5. Adicionar o leite de coco. Levar de novo a lume brando até ferver, mexendo sempre;
6. Temperar com sal se necessário e adicionar coentros a gosto. Servir.
Já não tem desculpa para desperdiçar alface! Bons aproveitamentos e bom apetite!
21 maio 2018
Pelo na venta não! Sangue na Guelra...
No passado dia 23 de abril, desloquei-me à gare marítima de Alcântara para desfrutar deste simpósio pela primeira vez. Com o mote da sustentabilidade, abordaram-se assuntos preocupantes não apenas para a gastronomia, mas inclusive para a nossa sobrevivência.
A abertura com Francisco Sarmento, responsável da FAO em Portugal, deu o mote para palestras muito interessantes. Trouxe-nos uma reflexão sobre como a Alimentação é abordada nos dias de hoje e como teremos que mudar paradigmas para conseguirmos garantir alimento para todos nos anos vindouros.
Achei interessantíssimo o projeto da Herdade do Freixo do Meio, que usa a agroecologia como principio de gestão. Não se limita a ser uma forma de agricultura biológica, mas sim todo um modo de vida que pretende integrar o consumidor final na fileira de produção, através da sua responsabilização pelo consumo do produto. Fica o link para um video,se quiserem saber mais:
https://www.youtube.com/watch?v=C_eY5l9mt7Y
Foram apresentados dois restaurantes empenhados em reduzir a sua pegada ecológica, numa lógica de upcycling, o BoLan na Tailândia e o Silo em Inglaterra.
Conheci o projeto do Alex Atala no Brasil e a Associação Natureza Portugal, esta última empenhada em garantir a sustentabilidade da pesca em Portugal.
No entanto, só se falou verdadeiramente em desperdício alimentar quando Alexandra Forbes, jornalista de profissão, subiu ao palco para falar sobre o seu projeto, Reffetorio Gastromotiva, um restaurante escola, que reaproveita excedentes alimentares provindos da distribuição, servindo refeições à população carenciada do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, servindo de escola de hotelaria a cidadãos que, de outra forma, não teriam meios para estudar.
É, sem dúvida, um projeto de louvar. Contudo, continuo a achar que o desperdício alimentar da ótica do consumidor final, com os seus números alarmantes, continua a receber muito pouca atenção nos espaços de debate e informação.
Mas, de forma geral, foi uma ótima experiência. Serviu para ver o tema de outros prismas e para conhecer projetos de pessoas, que vão tentando de alguma forma combater a espiral de esgotamento de recursos que atualmente conduz a humanidade. A repetir.
14 maio 2018
Outra vez Arroz!
Isto de aproveitar restos para quem gosta de cozinhar, torna-se rapidamente num teste brilhante à imaginação. Mais uma vez, se existirem crianças em casa, a fasquia é ainda mais elevada. Regra geral não gostam de repetir nada que não sejam os seus pratos favoritos, e se há indícios de que a refeição terá sido feita com as sobras do dia anterior, maior se torna a sua resistência.
O leite creme de arroz fez sucesso. E para além disso pôs-me a pensar. O arroz triturado dá um ótimo espessante. Portanto, sempre que tiver arroz branco de sobra sabemos perfeitamente o que lhe fazer, mas... e os outros?
A gastronomia nacional é pródiga em tipos de arroz. O cardápio abrange combinações tão variadas quanto arroz de cenoura, de grelos, de ervilhas, de tomate, tamboril ou marisco. Temos ainda na categoria dos pratos de carne, o arroz de miúdos, de pato ou o de cabidela. E com facilidade poderíamos continuar...
Ora tanto arroz também dá muitos restos. Sobretudo porque, na maioria dos casos, constitui a porção mais barata da refeição e, portanto, aquela que mais tendemos a exagerar a quantidade. Acho que já disse por ai algures que é proibido congelar arroz. Os cristais de gelo formados corrompem completamente a estrutura e, o que lhe sobrará á saída do congelador, será nada mais do que uma espécie de papa aguada, com uma ligeira semelhança com grãos de arroz pelo meio... pouco atraente diria eu!
Perante as sobras de um arroz de tomate que confecionei outro dia para acompanhar uns filetes, pus mãos à obra. E se dali pudesse sair um creme de marisco, daquele maravilhosamente cremoso?
Creme de Marisco (4 a 6 doses aprox.)
500 a 600 g de arroz de tomate
1 l de caldo de camarão caseiro
100 g de miolo de camarão cozido
sal, piri-piri em pó e coentros picados q.b.
1. Triturar na liquidificadora, ou com o auxílio da varinha mágica, o arroz de tomate com o caldo de marisco, até obter um creme uniforme;
2. Levar ao lume até ferver. Mexer sempre durante 3 a 5 min para não pegar. Retirar do lume.
3. Adicionar o camarão e os temperos a gosto. Servir.
Notas:
-Poderá substituir o caldo de camarão por cubos de compra;
-Se achar demasiado espesso, poderá acrescentar água ou mais caldo de marisco e ferver mais um pouco;
-Não são mencionados alhos nem cebolas na receita, partindo do principio que o arroz terá sido feito com eles. Da mesma forma, prove tudo antes de temperar. Os temperos do arroz poderão ser suficientes para aromatizar o resultado final;
-Em vez de camarão, poderá recorrer a qualquer outro tipo de marisco, delícias do mar ou até restos de lascas de peixe que tenham sobrado de uma refeição anterior, incluindo bacalhau;
E sem natas! Para mim o grande defeito dos cremes era precisamente este. Para obtermos um creme aveludado tínhamos que recorrer às natas como forma de espessamento. Desta forma substitui-se a gordura animal, por hidratos de carbono, fibras e um maior teor em proteína, e principalmente, não se deita arroz nenhum fora.
E o melhor de tudo é que, usando a proporção 1 parte de líquido para meia parte de arroz, pode fazer creme de tudo, aproveitando todos os tipos de arroz. Imagine o que será do seu creme de legumes, quando lhe acrescentar os restos do arroz de cenoura. No final, se houver sopa em excesso, esta sim pode congelar! Só tem que lhe dar uma fervura após a descongelação, para repor a cremosidade. Depois não se esqueça de partilhar os resultados.
Parabéns. Usou a imaginação, limpou o prato e não há restos no frigorífico!
07 maio 2018
Sem Sobras nem Restos... a peça!
Foi com orgulho e agrado que no dia 20 de Abril, levei a cabo a primeira iniciativa pública com base neste blog, em conjunto com o Colégio Penas Real e, com a inestimável ajuda das professoras Rita Miranda e Patrícia Cotão.
A ideia era sensibilizar pais e crianças para a temática do desperdício, recorrendo a uma pequena encenação. O momento da refeição e a lógica de desperdício do casal envolvido, escandalizava a empregada da casa, que arranjava desta forma, maneiras alternativas de reaproveitar o que sobrava.
No final, uma degustação das sugestões mencionadas na peça.
Os meus profundos agradecimentos à escola e às professoras. Foi um sucesso!
A ideia era sensibilizar pais e crianças para a temática do desperdício, recorrendo a uma pequena encenação. O momento da refeição e a lógica de desperdício do casal envolvido, escandalizava a empregada da casa, que arranjava desta forma, maneiras alternativas de reaproveitar o que sobrava.
No final, uma degustação das sugestões mencionadas na peça.
Os meus profundos agradecimentos à escola e às professoras. Foi um sucesso!
30 abril 2018
Leite creme de... arroz!
Cá por casa arroz carolino "branco", ou "arroz de hospital" como tão acertadamente lhe chama a minha sogra, é acompanhamento habitual. Com crianças, na fase "esquisitinhas", opto muitas vezes pelo mais simples, porque nem todos os dias tenho paciência para uma guerra civil a mesa...
Confesso também que, nesta batalha diária contra o desperdício, o ponto que tenho mais dificuldade em levar a cabo é o da redução das quantidades. O medo ancestral de que a comida não chegue aterroriza-me a todas as refeições. O resultado traduz-se inevitavelmente em restos, sendo que arroz e as massas tendem a sobrar em maior quantidade.
O arroz branco constitui um verdadeiro desafio no que toca a reaproveitamento. Comê-lo na refeição a seguir como acompanhamento após um entalão no microondas é sempre uma opção. Mas geralmente há qualquer coisa na textura e no sabor que se alteram irremediavelmente com o arrefecimento.
O verdadeiro problema do arroz, o carolino pelo menos, é que qualquer sobreaquecimento o deixa no estado "espapaçado". Já experimentei congelá-lo. O processo dá cabo do resto da estrutura, fazendo com que ele fique ainda mais "espapaçado" na hora de aquecer.
O que podemos fazer então? As opções não são tão poucas qunato poderia parecer à partida. É possível, por exemplo, fazer um refogado de tomate, e mistura-lo depois do refogado feito, dando-lhe apenas tempo para aquecer o suficiente e absorver o refogado, sem o deixar cozer demais. No entanto, o resultado obtido é sempre inferior ao que seria um arroz de tomate confeccionado de raiz.
As melhores formas de aproveitamento serão portanto aquelas que não tenham em vista o arroz como produto final. Uma das formais mais práticas é incorporá-lo na confecção da sua sopa. Em vez de seleccionar a batata como base, introduza o arroz e terá um creme de legumes delicioso no final.
Mas a proposta de hoje é um pouquinho mais arrojada. Consiste numa... sobremesa. E não, não é arroz doce. Que aborrecido que isso seria...
"Leite Creme" de Arroz (aprox. 4 doses)
200 g de arroz carolino cozido
250 mL de bebida de soja com aroma de baunilha
1 casca de limão
1 pau de canela
50 g de açúcar
açúcar q.b. para queimar
1. Lave o arroz. Com o auxílio da liquidificadora ou da varinha mágica, triture o arroz com o leite de soja, até ficar com o preparado completamente líquido.
2. Levar a lume brando até levantar fervura, junto com a casca de limão e o pau de canela. Deixar ferver, mexendo sempre, durante cerca de 5 min. Tirar do lume e juntar o açúcar, mexendo sempre.
3. Separar em taças e deixar arrefecer.
4. Espalhar açúcar à superfície e queimar com o auxilio do ferro quente ou maçarico para o efeito. (Poderá optar por polvilhar com canela se preferir)
Pode reaproveitar sobras de arroz de manteiga. Se tiver posto cebola e/ou alho, retire-os durante a lavagem do arroz. Os aromas notar-se-ão pouco ou nada após a fervura com casca de limão
Um aproveitamento saboroso, que poderá servir aos seus amigos vegetarianos. Nunca experimentei com outro tipo de arroz e, neste campo, terá mesmo que experimentar, uma vez que a consistência do creme tenderá a variar. Se experimentar, diga qualquer coisa nos comentários.
Bom apetite. Passo a passo caminhamos para zero sobras e zero restos.
23 abril 2018
Congelar ou não congelar... eis a questão!
Mesmo com um bom plano, facilmente nos descontrolamos com as encomendas de
fruta. Seja porque compramos demais, ou porque nos deixamos dormir durante a
semana e lá se foi o tempo para preparar o batido do pequeno-almoço, ou ainda
porque a semana de férias que os nossos filhotes iam passar connosco em casa,
foi transferida à última da hora para casa do melhor amigo, acabar com uma fruteira impropria para consumo é sempre uma possibilidade.
Como é hábito, prefiro falar de conservação, antes de abordar a
transformação. Contudo, a fruta apresenta a este nível extensas limitações.
Falamos de produtos frescos, na maioria dos casos destinados ao consumo em cru,
com teores extremamente elevados em água.
Ora estas características, ao contrário do que se passa com os outros
alimentos, constituem fortes opositores na hora da congelação. Isto porque a
água presente, ao solidificar, forma cristais, alterando e rompendo a estrutura
existente, uma vez que a água no estado sólido ocupa mais espaço que a água no
estado líquido. É por este motivo que quando põe recipientes cheios de líquido
no congelador, eles tendem a "rebentar".
Infelizmente, congelar fruta, seja ela qual for, traduz-se assim numa perda
de qualidade significativa nas suas propriedades. A sua textura torna-se mole e
empapada, inviabilizando o seu consumo em cru.
Portanto, do ponto de vista da conservação estamos limitados ao "tempo
de prateleira" previsto inicialmente, ou será que não...
De facto, nunca tinha ouvido falar de fruta congelada (à exceção daqueles
frutos vermelhos, disponibilizados pelas grandes superfícies comerciais, que
geralmente destinamos a doces, cheesecakes e afins). Apercebi-me, da troca de
conhecimentos com os meus colegas de mestrado, que afinal é uma coisa cultural.
Ao que parece, por exemplo no Brasil, é hábito terem à venda polpa de várias
frutas, com destino a várias preparações culinárias.
Então, porque não congelar a fruta? Ao fazê-lo temos apenas que por de
parte o propósito de a voltar a consumir em fresco. Mas é uma ótima maneira não
só de conservar a fruta em excesso, como de organizar o seu dia-a-dia.
Por exemplo, imagine a maravilha que era, acordar de manhã e ter tempo de
beber o seu batido todos os dias, mesmo naqueles em que tem que ir trabalhar
muito cedo. Nada de muito complicado.
Organize as misturas de fruta que destina aos seus batidos, em sacos de
congelação, já nas doses certas. Depois, o tempo que precisará, será o de
deitar para dentro do copo da liquidificadora todos os ingredientes do seu
batido e carregar no botão. No espaço de pouco mais de cinco minutos, tem o seu
pequeno-almoço, nutritivo e saboroso, todas as manhãs. Além do mais, ainda fica
instantaneamente fresquinho, devido à fruta que acabou de sair do congelador.
Aqui vão as quantidades de um dos meus preferidos, sendo que o procedimento
é sempre o mesmo. Deitar tudo na liquidificadora e deixá-la fazer o trabalho.
Batido de Manga, Banana, Morango (2 a 3 doses aprox.)
150 g de manga descascada e cortada
4 Morangos (aprox. 70 g)
1 Banana pequena cortada às rodelas (aprox. 70g)
125 g de iogurte aroma de coco
400 ml de leite
Pode aromatizar a gosto com hortelã, canela ou até manjericão (fica ótimo
com tudo o que tenha morangos). Pode também adicionar açúcar se preferir, ou
outro adoçante. Pessoalmente, habituei-me a beber sem açúcar, até porque, por
exemplo, os iogurtes de aromas já têm, na maioria dos casos, açúcares
adicionados.
Atenção que, se for fazer o mesmo batido com as frutas ao natural (antes de serem congeladas), a dose de leite terá que ser reduzida significativamente, uma vez que a água presente na fruta está ainda no estado liquido e contribuirá assim para um batido mais liquefeito, do que se a fruta estivesse congelada.
Atenção que, se for fazer o mesmo batido com as frutas ao natural (antes de serem congeladas), a dose de leite terá que ser reduzida significativamente, uma vez que a água presente na fruta está ainda no estado liquido e contribuirá assim para um batido mais liquefeito, do que se a fruta estivesse congelada.
Se pretender um batido mais rico nutritivamente, pode adicionar bolacha
maria, aveia ou outro tipo de flocos de cereais que lhe agrade. Para batidos
mais cremosos, substitua o iogurte por iogurte grego e se os quiser mais
liquefeitos, basta aumentar a proporção de leite.
Intolerante à lactose? Sem problema. Substitua iogurte e leite pelos
equivalentes vegetais que mais gostar. Pessoalmente, adoro os meus batidos
feitos com bebida de soja com aroma de baunilha.
A fruta congelada desta forma serve, não apenas para batidos, mas também
para gelados, mousses, bolos e pudins. Pode incorporá-la em gelatinas e
cocktails, ou simplesmente fazer com elas um sumo fresquinho. Que bem que
ficará a sua sangria no Verão, com fruta que também serve de cubo de gelo. Pode
até, para o efeito, liquefazer a fruta em sumo, e congela-lo nas cuvetes
próprias para gelo. Nunca é demais relembrar que, em questões de
aproveitamentos, o céu é o limite!
E por favor, assim que vir que tem fruta em excesso para o que vai
conseguir consumir, não adie esta preparação. O facto de adiarmos o inevitável
com o pensamento de que, se calhar, ainda vamos consumir aquela fruta, vai
inevitavelmente resultar em fruta no lixo.
Adira a filosofia Sem Sobras… vai-lhe sobrar tempo, dinheiro e saúde.
16 abril 2018
A Idade do Gelo I
Tenho a mania de congelar tudo! O congelador é frequentemente pequeno para a minha vontade. Isto porque tudo o que sobra por aqui vai lá parar: o molho de tomate, que sobrou das pizzas caseiras do jantar de sexta feira, o resto do arroz de pato, o pão que, sem excepção, sobra do jantar de sábado, manteiga, claras de ovos, pratos confeccionados às doses, para uma semana em que há pouco tempo para cozinhar, sopas, etc, etc, etc...
Hoje dispus-me a escrever este artigo, porque descobri apenas recentemente que, o que fazia quase por sabedoria ancestral, poderia estar profundamente errado, não tivesse eu tido sempre "sorte" com os meus aparelhos.
Na verdade, nem todos os congeladores domésticos servem para este propósito. A congelação é um processo no qual a qualidade dos alimentos é tanto melhor preservada quanto a velocidade a que ocorre. A ultra congelação praticada em industria é o caso extremo, em que os alimentos são congelados em túneis de frio em questão de meros minutos. No caso dos congeladores domésticos, existem quatro tipos, que definem a longevidade dos produtos lá guardados:
- Classe duas estrelas (**)- a temperatura chega -12 ºC, conserva os congelados até um mês;
- Classe três estrelas (***)- a temperatura chega -18 ºC, conserva os congelados até um ano;
- Classe quatro estrelas (****)- temperatura entre -18 ºC e -24 ºC , para além da conservação, são os únicos que permitem a congelação em casa;
A maioria dos congeladores disponíveis no mercado pertence à última classe. No entanto, se como eu, não sabia deste pormenor, pode sempre ir verificar se tem estado a "abusar da sorte". A classe vem mencionada no livro de especificações que acompanha o electrodoméstico.
Outra coisa que costuma baralhar as pessoas é o tempo que cada alimento pode permanecer no congelador. Geralmente, o próprio livro de instruções do mesmo também traz esta informação, mas como somos humanos, e eu bem sei o penoso que isso torna a tarefa de ler instruções seja do que for, aqui vai:
-frutas e hortícolas, 12 meses;
-vaca sem gordura, salsichas, frango e peru. 10 meses;
-queijos de pasta mole ou semi-mole, 8 meses;
-pão, massa folhada ou quebrada, bolachas e crepes, manteiga, carne de porco pouco gorda, coelho, lebre e caça, peixe magro ou meio gordo, 6 meses;
-massas para pão e pizza. tartes de fruta, peixe gordo, marisco, sopas, sobras de pratos cozinhados, 3 meses;
-hambúrgueres, carne picada, carne de porco gorda, 2 meses;
-bolos e sobremesas com creme, 1 mês
.
Deve por isto, antes de congelar, acondicionar os alimentos em caixas ou sacos para o efeito e indicar a data de congelação, por forma a ter noção de até quando os poderá consumir. Os alimentos devem ser o mais frescos possível à data da congelação e devem ser limpos, livres de partes não comestíveis e arranjados antes do processo. Se estamos a falar de produtos cozinhados, deverão ser arrefecidos antes de os introduzir no congelador. Poderá usar o frigorífico para este efeito.
Ao contrário do frigorífico, a forma como organiza o congelador é perfeitamente indiferente, uma vez que a temperatura é a mesma em todas as suas áreas. Os mais recentes costumam ter um mecanismo de congelação mais rápida para alimentos recém introduzidos. Mais uma vez, o manual de instruções do seu aparelho será a fonte a consultar.
Espero que tenha um dos bons. Eu já não vivo sem o meu, nesta batalha diária de combate ao desperdício. Boa semana e bons aproveitamentos.
09 abril 2018
Flan não... de Pão!
Confesso que uma das coisas que me dá mais prazer aproveitar e converter é o pão duro. Primeiro porque os resultados costumam ser tão ou mais satisfatórios que a matéria prima enquanto fresca, e depois porque é o aproveitamento de umas sobras que a maioria das pessoas destina ao caixote do lixo.
Geralmente o destino do pão duro cá em casa é açorda. Porque adoro, porque é fácil e rápida de fazer e porque permite variar os acompanhamentos, que nunca se desviam muito da massa, arroz ou batatas.
A receita que lhes trago hoje, por questões nutricionais, é principalmente para dias de festa ou fins de semana de casa cheia. Experimente-a e verifique que é uma sobremesa excepcional e das mais fáceis de confeccionar, uma vez que precisa apenas da liquidificadora, ou de uma varinha mágica.
Hoje vamos fazer... pudim de pão.
Pudim de pão:
Para o caramelo:
0,5 dl de água fria para dissolver o açucar
250 g de açúcar branco
1 dl de água morna para adicionar ao caramelo
Para o pudim:
200 a 300 g de pão duro
500 ml de leite morno
200 g de açúcar
4 ovos
1 colher de chá de canela em pó
1. Antes de fazer o caramelo, deitar no copo da liquidificadora o pão aos pedaços e o leite morno, para que o pão vá amolecendo;
2. Fazer o caramelo. Num tacho colocar os 0,5 dl de água e o açúcar e levar ao lume. Quando levantar fervura, mexer sempre até atingir o tom típico do caramelo.
3. Aos poucos introduzir 1 dl de água morna, mexendo sempre e deixando ferver. Para este passo é aconselhável ter os braços cobertos e luvas de cozinha postas, porque o caramelo em contacto com a água "espirra" muito. Quando terminar, transferir o caramelo para a forma de pudim. Deixar arrefecer um pouco de forma a poder untar toda a forma com o mesmo.
4. Para o pudim- Triturar o pão com o leite.
5. Juntar à mistura de pão e leite, os ovos, o açúcar e a canela. Bater tudo muito bem (pode ser tudo feito no copo da liquidificadora ou com a varinha mágica).
6. Deitar o preparado na forma de pudim, bem untada com o caramelo. Levar a cozer ao forno, a 180 ºC, em banho maria, durante 45 min. Para verificar se está cozido, usar o palito como se fosse um bolo.
7. Antes de desenformar, deixar arrefecer. Passar uma faca em redor para ajudar a soltar o pudim da forma. Desenformar.
Pode ser feito com qualquer pão, sendo que o próprio sabor e textura do pudim, vão variar em função do tipo de pão usado. Pode ainda adicionar passas antes de deitar o preparado na forma. Diz quem gosta que fica uma verdadeira delicia.
É tão bom ter pão duro em casa!
Geralmente o destino do pão duro cá em casa é açorda. Porque adoro, porque é fácil e rápida de fazer e porque permite variar os acompanhamentos, que nunca se desviam muito da massa, arroz ou batatas.
A receita que lhes trago hoje, por questões nutricionais, é principalmente para dias de festa ou fins de semana de casa cheia. Experimente-a e verifique que é uma sobremesa excepcional e das mais fáceis de confeccionar, uma vez que precisa apenas da liquidificadora, ou de uma varinha mágica.
Hoje vamos fazer... pudim de pão.
Pudim de pão:
Para o caramelo:
0,5 dl de água fria para dissolver o açucar
250 g de açúcar branco
1 dl de água morna para adicionar ao caramelo
Para o pudim:
200 a 300 g de pão duro
500 ml de leite morno
200 g de açúcar
4 ovos
1 colher de chá de canela em pó
1. Antes de fazer o caramelo, deitar no copo da liquidificadora o pão aos pedaços e o leite morno, para que o pão vá amolecendo;
2. Fazer o caramelo. Num tacho colocar os 0,5 dl de água e o açúcar e levar ao lume. Quando levantar fervura, mexer sempre até atingir o tom típico do caramelo.
3. Aos poucos introduzir 1 dl de água morna, mexendo sempre e deixando ferver. Para este passo é aconselhável ter os braços cobertos e luvas de cozinha postas, porque o caramelo em contacto com a água "espirra" muito. Quando terminar, transferir o caramelo para a forma de pudim. Deixar arrefecer um pouco de forma a poder untar toda a forma com o mesmo.
4. Para o pudim- Triturar o pão com o leite.
5. Juntar à mistura de pão e leite, os ovos, o açúcar e a canela. Bater tudo muito bem (pode ser tudo feito no copo da liquidificadora ou com a varinha mágica).
6. Deitar o preparado na forma de pudim, bem untada com o caramelo. Levar a cozer ao forno, a 180 ºC, em banho maria, durante 45 min. Para verificar se está cozido, usar o palito como se fosse um bolo.
7. Antes de desenformar, deixar arrefecer. Passar uma faca em redor para ajudar a soltar o pudim da forma. Desenformar.
Pode ser feito com qualquer pão, sendo que o próprio sabor e textura do pudim, vão variar em função do tipo de pão usado. Pode ainda adicionar passas antes de deitar o preparado na forma. Diz quem gosta que fica uma verdadeira delicia.
É tão bom ter pão duro em casa!
02 abril 2018
E tudo a água levou.
Existem diversos pontos a abordar neste tema, que é extenso e tem aspectos complexos. Hoje escolhi focar... água.
Quase todos os alimentos têm teores de água elevadíssimos. Nos vegetais e na fruta pode alcançar valores acima dos 90%. Isto é ótimo do ponto de vista nutritivo, uma vez que também nós somos constituídos essencialmente por água e, na maior parte dos casos, não bebemos tanta quanto devíamos. Mas, do ponto de vista da conservação dos alimentos, apresenta aspetos negativos.
Os microrganismos precisam da água existente nos alimentos para levar a cabo o seu metabolismo. Sem ela, não conseguem pôr em marcha os mecanismos que lhes permitem a sua replicação. A boa notícia para nós é que, não basta existir água no alimento, ela tem que estar "livre".
Vou tentar simplificar o conceito. Imagine que vai de autocarro para o trabalho e, que o veiculo passa na paragem, mas vai tão cheio que nem para. Ou então, que estão imensos autocarros parados à sua frente. Os autocarros existem, mas não o conseguem levar ao trabalho. Pois bem, o autocarro é água e, ao seu nível de "disponibilidade" damos o nome de Atividade da Água- Aw
Agora pode, com toda a justiça, perguntar-me: "E agora, o que é que eu faço com isso?". Ao que eu respondo,"Já faz muita coisa sem saber."
Um dos processos mais fáceis para baixar a Aw é através da congelação. A água está toda presente, mas no estado sólido, organizada em cristais e, logo, não disponível para se ligar a mais nada. Este é um dos motivos porque não há desenvolvimento microbiano em alimentos congelados.
O outro, já as nossas avós o praticavam de cor e salteado. Salgas e Compotas. Acontece, neste caso, que a água apresenta uma elevada afinidade para o açúcar e para o sal. Quer isto dizer, que quando em presença de quantidades suficientes destes produtos, a água ficará completamente ligada a eles, e assim, indisponível para outras funções. Não é por acaso que, antes de existirem frigoríficos, os antigos salgavam a carne e o peixe como método de conservação. Ainda hoje, o nosso bacalhau é salgado.
Nas minhas compotas uso sempre a mesma razão de açúcar para fruta: 1/1. Significa que por cada kg de fruta uso 1 kg de açúcar. Regra geral, deixo a mistura em lume brando até atingir o ponto estrada. É usual adicionar sumo de 1 limão e raspa da casca, bem como um pau de canela, no início da preparação.
Para prolongar a conservação dos doces, deve ainda acondicioná-los em frascos fervidos, logo após a sua finalização. Os frascos devem ser fechados imediatamente e virados ao contrário em cima dum pano, deixando-os arrefecer nessa posição. Desta forma, está praticamente a selá-los a vácuo. Aguentarão à temperatura ambiente em torno de oito a nove meses. Depois de abertos e, se não for para consumo muito rápido, pode espalhar uma camada de canela por cima da superfície, prevenindo assim a formação de bolores.
Compotas e doces constituem uma das melhores formas de aproveitar aquelas frutas que começam a ameaçar estragar-se. E se tiver uma iogurteira, experimente a adicionar um pouco de doce no fundo dos frascos. Não vai haver iogurte que se compare ao seu! Com engenho e arte pode até aproveitar umas quantas cascas... mas isso fica para outro dia.
E viva feliz... sem restos!
26 março 2018
Só um desabafo...
Se calhar devia ter começado por aqui, mas um blog permite isto mesmo: andar para trás e para a frente a nosso belo prazer.
Ainda me lembro , quando escolhi de uma lista de temas, o do desperdício alimentar para trabalho final da cadeira de seminários II do Mestrado em Ciências Gastronómicas. Foi-nos pedido que escolhêssemos um tema relativamente ao qual soubéssemos pouco. Lembro-me de na altura ter relacionado o tema com cascas e outras partes "supostamente não comestíveis" dos alimentos.
Não estava efetivamente preparada para o que os números me reservavam.
Segundo a FAO, 1/3 de todos os alimentos produzidos no mundo encontram o seu destino no caixote do lixo. O desperdício está relacionado com o grau de desenvolvimento do país. À medida que este aumenta, a percentagem de desperdício por parte do consumidor final também tende a aumentar. Portanto, os grandes agentes desta problemática somos nós...
Em contrapartida, em todo o mundo, 793 milhões de pessoas sofrem de má nutrição. Aproximadamente 10% da população europeia não aufere de rendimentos suficientes para realizar uma refeição por dia. A má nutrição é, a nível mundial, a principal causa de morte em crianças com menos de 5 anos de idade, representando 45% do total. Uma em cada seis crianças sofre de insuficiência ponderal enquanto uma em cada quatro sofre de raquitismo.
A produção alimentar chega, neste momento, para alimentar toda a gente. O problema que se põe é na acessibilidade aos alimentos. No entanto, a ONU estima que sejamos mais de 9 mil milhões em 2050. Antes de pensarmos em produzir mais, teremos obrigatoriamente que nos concentrar em desperdiçar menos.
Em Portugal, o projeto PERDA constituído por professores e investigadores da Universidade Nova de Lisboa, permitiu a primeira grande caracterização do perfil do desperdício em Portugal e, mais uma vez, surpresa das surpresas, o grande responsável é o consumidor final.
Este facto é para mim chocante e um pouco incompreensível. Vimos de uma cultura de subsistência. A dieta mediterrânica, tão aclamada pelos seus benefícios, baseia-se numa lógica de aproveitamento de recursos escassos. Algumas das maiores iguarias tradicionais portuguesas consistem em aproveitar coisas como rabo de boi, orelha de porco ou ossos, para uma bela sopa de ossos carregados. Onde exatamente é que perdemos esta lógica?!
Muito pode ser explicado pelos novos ritmos de vida, pela emancipação da mulher, etc, etc. As pessoas vão sabendo fazer cada vez menos na cozinha e vão tendo cada vez menos tempo para isso. Contudo, não deixa de ser um contrassenso que os programas de culinária estejam cada vez mais na moda.
Mas é a nós, consumidores, que cabe inverter o ciclo. E em certos aspetos, como já referi anteriormente, ao combatermos o desperdício alimentar estaremos a melhorar outros parâmetros como o tempo que passamos na cozinha e supermercado.
Se tudo o mais falhar tente lembrar-se de que não pode ser responsável pela fome de outro ser humano. O sentimento de culpa é o nosso aliado mais precioso nesta batalha que teremos obrigatoriamente de travar, se queremos um mundo um bocadinho melhor.
Deixo o link para um blog que conseguiu simplificar as coisas a números "palpáveis":
https://www.magnet.co.uk/advice-inspiration/blog/2018/February/food-waste-around-the-world
Lembre-se que o seu lixo pode ser a refeição de muitos.
Ainda me lembro , quando escolhi de uma lista de temas, o do desperdício alimentar para trabalho final da cadeira de seminários II do Mestrado em Ciências Gastronómicas. Foi-nos pedido que escolhêssemos um tema relativamente ao qual soubéssemos pouco. Lembro-me de na altura ter relacionado o tema com cascas e outras partes "supostamente não comestíveis" dos alimentos.
Não estava efetivamente preparada para o que os números me reservavam.
Segundo a FAO, 1/3 de todos os alimentos produzidos no mundo encontram o seu destino no caixote do lixo. O desperdício está relacionado com o grau de desenvolvimento do país. À medida que este aumenta, a percentagem de desperdício por parte do consumidor final também tende a aumentar. Portanto, os grandes agentes desta problemática somos nós...
Em contrapartida, em todo o mundo, 793 milhões de pessoas sofrem de má nutrição. Aproximadamente 10% da população europeia não aufere de rendimentos suficientes para realizar uma refeição por dia. A má nutrição é, a nível mundial, a principal causa de morte em crianças com menos de 5 anos de idade, representando 45% do total. Uma em cada seis crianças sofre de insuficiência ponderal enquanto uma em cada quatro sofre de raquitismo.
A produção alimentar chega, neste momento, para alimentar toda a gente. O problema que se põe é na acessibilidade aos alimentos. No entanto, a ONU estima que sejamos mais de 9 mil milhões em 2050. Antes de pensarmos em produzir mais, teremos obrigatoriamente que nos concentrar em desperdiçar menos.
Em Portugal, o projeto PERDA constituído por professores e investigadores da Universidade Nova de Lisboa, permitiu a primeira grande caracterização do perfil do desperdício em Portugal e, mais uma vez, surpresa das surpresas, o grande responsável é o consumidor final.
Este facto é para mim chocante e um pouco incompreensível. Vimos de uma cultura de subsistência. A dieta mediterrânica, tão aclamada pelos seus benefícios, baseia-se numa lógica de aproveitamento de recursos escassos. Algumas das maiores iguarias tradicionais portuguesas consistem em aproveitar coisas como rabo de boi, orelha de porco ou ossos, para uma bela sopa de ossos carregados. Onde exatamente é que perdemos esta lógica?!
Muito pode ser explicado pelos novos ritmos de vida, pela emancipação da mulher, etc, etc. As pessoas vão sabendo fazer cada vez menos na cozinha e vão tendo cada vez menos tempo para isso. Contudo, não deixa de ser um contrassenso que os programas de culinária estejam cada vez mais na moda.
Mas é a nós, consumidores, que cabe inverter o ciclo. E em certos aspetos, como já referi anteriormente, ao combatermos o desperdício alimentar estaremos a melhorar outros parâmetros como o tempo que passamos na cozinha e supermercado.
Se tudo o mais falhar tente lembrar-se de que não pode ser responsável pela fome de outro ser humano. O sentimento de culpa é o nosso aliado mais precioso nesta batalha que teremos obrigatoriamente de travar, se queremos um mundo um bocadinho melhor.
Deixo o link para um blog que conseguiu simplificar as coisas a números "palpáveis":
https://www.magnet.co.uk/advice-inspiration/blog/2018/February/food-waste-around-the-world
Lembre-se que o seu lixo pode ser a refeição de muitos.
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