Cá por casa, a pizza é o prato preferido do jantar de sexta-feira.
E se por um lado, mandá-la vir da nossa pizzaria preferida satisfaz o paladar e
a preguiça, quando tenho tempo gosto de faze-la de raiz. Sai incomparavelmente
mais barata, os miúdos adoram participar, há para todos os gostos e permite o
aproveitamento de um pouco de tudo que foi ficando para trás no frigorífico,
durante a semana. E o melhor de tudo é que as quantidades necessárias de cada
ingrediente são sempre pequenas, permitindo aproveitar mesmo tudo!
Se tiver medo de se arriscar
com a massa inicialmente, na secção de massas frescas do seu supermercado de
eleição, já as vendem para todos os gostos, desde as fininhas às tipo
americano, altas e fofas.
Se quiser arriscar, deixo uma
das minhas receitas favoritas, na sua versão mais saudável, com parte de
farinha integral:
Massa de pizza "alta e fofa" (4 a 6 pizzas individuais
aproximadamente):
8 g de fermento de padeiro seco
ou 20 g de fermento de padeiro fresco
350 ml de água morna
300 g de farinha de trigo T65
sem fermento
200 g de farinha de trigo
integral
1 colher de chá de sal grosso
(rasa)
Azeite e farinha de trigo T65
q.b.
1. Dissolver o fermento em 300
mL da água morna. Se estiver a usar fermento seco deixar repousar cerca de 10
min até notar uma espécie de espuma à superfície (está a ativar a levedura);
2. Numa taça colocar a farinha,
a mistura de água e fermento e o sal, Misturar os ingredientes até obter massa
"empapada";
3. Passar a mistura para a
bancada. MUITO IMPORTANTE: Não enfarinhar a bancada! A massa vai parecer
demasiado líquida. É a amassadura da farinha de trigo que lhe vai dando
elasticidade. Quanto mais amassar, mais facilmente ela se irá descolar das
superfícies e das mãos. Amassar por isso até este ponto, adicionando aos poucos
a restante água. Formar uma bola. Deixar descansar em torno de meia hora, numa
taça untada com azeite;
4. Cortar a bola em 4 ou 6
unidades (consoante o número e tamanho de pizzas desejado). Na bancada, agora
sim, enfarinhada, com ajuda dos nós dos dedos estendê-las até obter uma base
fina. Colocar num tabuleiro untado com azeite e tapar com um pano. Deixar
levedar cerca de uma hora dentro do forno apagado;
5. A massa leva em torno de 30
min a cozer, em forno pré aquecido a 220 °C. Poderá fazê-lo diretamente no
tabuleiro onde levedaram, ou idealmente, recorrendo a uma espátula ou pá para
mover as pizzas pré-preparadas, em cima de uma pedra de forno pré aquecida no
mesmo.
Notas:
-Se tiver um robot de cozinha com pá própria para amassar pão,
poderá amassar lá a sua massa, seguindo o mesmo procedimento de ir adicionando
aos poucos a água restante. Quando a massa se descolar completamente da taça
está pronta;
-A massa pode ser congelada, após levedada e pode ser usada
diretamente do congelador. Neste caso, introduza-a durante 10 min no forno pré
aquecido, antes de montar a pizza;
| Preocupe-se pouco na hora de dar forma às pizzas. Cá por casa os miúdos adoram ensaiar corações, continentes, animais e todo o tipo de formas. Estas saíram das mãos do mais novo: um coração e um urso! |
-Se quiser prepara a massa de véspera pode. Em vez de a deixar
levedar no forno apagado, deixe-a levedar no frigorífico.
Até pode acontecer que tenha um percalço ou outro nas primeiras
vezes, mas assim que acertar com a massa, acredite que aí por casa nunca mais
vão querer outra coisa!
Outro ponto importante na construção de uma pizza é, como é óbvio,
o molho de tomate. Aqui vai a receita que uso sempre, sem exceção:
Molho de tomate (4 a 6
pizzas individuais aproximadamente):
Azeite q.b.
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
780 g de tomate pelado em lata
Manjericão, orégãos, pimenta e sal q.b.
1 colher de chá de açucar
1.Num tacho, fazer um refogado com a cebola e os alhos, até a
cebola ficar transparente;
2. Adicionar o tomate cortado em pedaços, bem como o molho da
lata. Deixar ferver em lume brando durante cerca de quinze minutos, mexendo de
vez em quando para não pegar;
3.Temperar a gosto com o manjericão, os orégãos, o sal e a
pimenta. Tirar do lume. Triturar tudo;
4. Introduzir o açúcar e mexer bem para homogeneizar.
Notas:
-Se tiver tomates frescos, pode introduzi-los diretamente no
refogado. É uma ótima forma de aproveitar tomate que está prestes a
estragar-se! No final, passe o molho por um passador, de modo a remover as peles
do tomate que não tenham sido trituradas.
-Muitas vezes sobra molho. Pode congelá-lo numa caixa de plástico
ou de vidro para o efeito, para futuras utilizações.
E agora vem a parte engraçada: compor as suas pizzas a gosto! E no
que toca a aproveitar é aqui que fazemos a limpeza do frigorífico.
Montagem das pizzas:
1.Espalhar o molho de tomate a gosto, por cima da massa, deixando
uma pequena margem;
2.Dispor os ingredientes selecionados uniformemente por cima do
molho. Cobrir com o queijo selecionado;
3.Aromatizar com orégãos. Levar ao forno pré aquecido a 220 °C,
durante 30 min
Muitas vezes, em vez de queijo mozarela de base, uso o queijo flamengo
em barra, cortado em fios estreitos com auxílio duma faca. Sugiro algumas
composições:
-Pizza de carnes frias: mortadela com azeitonas e fiambre cortado
às tiras, presunto, chouriço aos cubos e azeitonas; queijo flamengo ou mozarela;
-Pizza de bacalhau: bacalhau desfiado; chouriço aos cubos; pimento
verde e/ou vermelho cortado às fatias; azeitonas; queijo “tipo da serra”,
qualquer queijo de vaca ou ovelha semi-amanteigado;
-Pizza “veggie”: restos de legumes cozidos- bróculos, couve-flor e
cenouras, por exemplo- cebola em fatias finas; azeitonas; cogumelos; pickles;
queijo da ilha, de cabra, qualquer queijo com aromas fortes.
Pode terminar a sua refeição com uma maravilhosa pizza doce, substituindo
o molho de tomate por Nutella, chocolate negro ou branco derretido, ou uma
mistura dos anteriores, guarnecida com restos de fruta que tenha por ai a
ameaçarem apodrecer. Neste caso, a fruta é introduzida na pizza, após a
cozedura.

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