04 junho 2018

Tens restos?! "Pizza-os"!



Cá por casa, a pizza é o prato preferido do jantar de sexta-feira. E se por um lado, mandá-la vir da nossa pizzaria preferida satisfaz o paladar e a preguiça, quando tenho tempo gosto de faze-la de raiz. Sai incomparavelmente mais barata, os miúdos adoram participar, há para todos os gostos e permite o aproveitamento de um pouco de tudo que foi ficando para trás no frigorífico, durante a semana. E o melhor de tudo é que as quantidades necessárias de cada ingrediente são sempre pequenas, permitindo aproveitar mesmo tudo!

Se tiver medo de se arriscar com a massa inicialmente, na secção de massas frescas do seu supermercado de eleição, já as vendem para todos os gostos, desde as fininhas às tipo americano, altas e fofas.

Se quiser arriscar, deixo uma das minhas receitas favoritas, na sua versão mais saudável, com parte de farinha integral:

Massa de pizza "alta e fofa" (4 a 6 pizzas individuais aproximadamente):

8 g de fermento de padeiro seco ou 20 g de fermento de padeiro fresco
350 ml de água morna
300 g de farinha de trigo T65 sem fermento
200 g de farinha de trigo integral
1 colher de chá de sal grosso (rasa)

Azeite e farinha de trigo T65 q.b.

1. Dissolver o fermento em 300 mL da água morna. Se estiver a usar fermento seco deixar repousar cerca de 10 min até notar uma espécie de espuma à superfície (está a ativar a levedura);

2. Numa taça colocar a farinha, a mistura de água e fermento e o sal, Misturar os ingredientes até obter massa "empapada";

3. Passar a mistura para a bancada. MUITO IMPORTANTE: Não enfarinhar a bancada! A massa vai parecer demasiado líquida. É a amassadura da farinha de trigo que lhe vai dando elasticidade. Quanto mais amassar, mais facilmente ela se irá descolar das superfícies e das mãos. Amassar por isso até este ponto, adicionando aos poucos a restante água. Formar uma bola. Deixar descansar em torno de meia hora, numa taça untada com azeite;

4. Cortar a bola em 4 ou 6 unidades (consoante o número e tamanho de pizzas desejado). Na bancada, agora sim, enfarinhada, com ajuda dos nós dos dedos estendê-las até obter uma base fina. Colocar num tabuleiro untado com azeite e tapar com um pano. Deixar levedar cerca de uma hora dentro do forno apagado;

5. A massa leva em torno de 30 min a cozer, em forno pré aquecido a 220 °C. Poderá fazê-lo diretamente no tabuleiro onde levedaram, ou idealmente, recorrendo a uma espátula ou pá para mover as pizzas pré-preparadas, em cima de uma pedra de forno pré aquecida no mesmo.

Notas:
-Se tiver um robot de cozinha com pá própria para amassar pão, poderá amassar lá a sua massa, seguindo o mesmo procedimento de ir adicionando aos poucos a água restante. Quando a massa se descolar completamente da taça está pronta;
-A massa pode ser congelada, após levedada e pode ser usada diretamente do congelador. Neste caso, introduza-a durante 10 min no forno pré aquecido, antes de montar a pizza;
Preocupe-se pouco na hora de dar
forma às pizzas. Cá por casa os miúdos
adoram ensaiar corações,
continentes, animais e todo o tipo
de formas. Estas saíram das mãos
do mais novo: um coração e um urso!
-Se quiser prepara a massa de véspera pode. Em vez de a deixar levedar no forno apagado, deixe-a levedar no frigorífico.

Até pode acontecer que tenha um percalço ou outro nas primeiras vezes, mas assim que acertar com a massa, acredite que aí por casa nunca mais vão querer outra coisa!

Outro ponto importante na construção de uma pizza é, como é óbvio, o molho de tomate. Aqui vai a receita que uso sempre, sem exceção:

Molho de tomate (4 a 6 pizzas individuais aproximadamente):

Azeite q.b.
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
780 g de tomate pelado em lata
Manjericão, orégãos, pimenta e sal q.b.
1 colher de chá de açucar

1.Num tacho, fazer um refogado com a cebola e os alhos, até a cebola ficar transparente;

2. Adicionar o tomate cortado em pedaços, bem como o molho da lata. Deixar ferver em lume brando durante cerca de quinze minutos, mexendo de vez em quando para não pegar;

3.Temperar a gosto com o manjericão, os orégãos, o sal e a pimenta. Tirar do lume. Triturar tudo;

4. Introduzir o açúcar e mexer bem para homogeneizar.

Notas:
-Se tiver tomates frescos, pode introduzi-los diretamente no refogado. É uma ótima forma de aproveitar tomate que está prestes a estragar-se! No final, passe o molho por um passador, de modo a remover as peles do tomate que não tenham sido trituradas.
-Muitas vezes sobra molho. Pode congelá-lo numa caixa de plástico ou de vidro para o efeito, para futuras utilizações.

E agora vem a parte engraçada: compor as suas pizzas a gosto! E no que toca a aproveitar é aqui que fazemos a limpeza do frigorífico.

Montagem das pizzas:

1.Espalhar o molho de tomate a gosto, por cima da massa, deixando uma pequena margem;

2.Dispor os ingredientes selecionados uniformemente por cima do molho. Cobrir com o queijo selecionado;

3.Aromatizar com orégãos. Levar ao forno pré aquecido a 220 °C, durante 30 min

Muitas vezes, em vez de queijo mozarela de base, uso o queijo flamengo em barra, cortado em fios estreitos com auxílio duma faca. Sugiro algumas composições:

-Pizza de carnes frias: mortadela com azeitonas e fiambre cortado às tiras, presunto, chouriço aos cubos e azeitonas; queijo flamengo ou mozarela;

-Pizza de bacalhau: bacalhau desfiado; chouriço aos cubos; pimento verde e/ou vermelho cortado às fatias; azeitonas; queijo “tipo da serra”, qualquer queijo de vaca ou ovelha semi-amanteigado;

-Pizza “veggie”: restos de legumes cozidos- bróculos, couve-flor e cenouras, por exemplo- cebola em fatias finas; azeitonas; cogumelos; pickles; queijo da ilha, de cabra, qualquer queijo com aromas fortes.

Pode terminar a sua refeição com uma maravilhosa pizza doce, substituindo o molho de tomate por Nutella, chocolate negro ou branco derretido, ou uma mistura dos anteriores, guarnecida com restos de fruta que tenha por ai a ameaçarem apodrecer. Neste caso, a fruta é introduzida na pizza, após a cozedura.

O segredo já não está na massa nem no molho! E o seu frigorifico está limpo e livre para uma nova semana de trabalho! Como em tudo, doses razoáveis de imaginação e boa disposição na cozinha resultaram em zero sobras e zero restos.  

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