26 julho 2018

Algaraviada em saladas


As férias trazem coisas maravilhosas...e uma delas são os churrascos. Carne grelhada e a companhia de amigos chega para um perfeito final de tarde após um dia de praia. Mas para que o churrasco seja satisfatório é normal que a variedade de carnes seja grande, facto que geralmente leva a sobras com fartura.

Quando estamos em casa, no meio das nossas máquinas e utensílios, é fácil recorrer a soluções como empadões, rolos ou croquetes para dar vazão às sobras. As férias trazem-nos ambientes diferentes e também alguma vontade de nos mantermos longe das nossas tarefas do dia a dia. Assim, a solução que arranjei foram as saladas.

Perfeitas para o almoço ligeiro à beira da piscina, disponíveis para toda a variedade e feitio, na prateleira do supermercado mais próximo, passei a optar pelas que é só abrir o saco e temperar. A carne que sobra é desfiada ou cortada aos cubos. Et voilá, o seu almoço de Verão, saudável e leve como se quer, está disponível em questão de minutos.

Hoje foi curto que estou de férias. Ainda assim, não há desculpa para estragar.

20 julho 2018

Sua casca grossa!

Partes comestíveis dos alimentos é uma dimensão do problema do desperdício altamente discutível. Quando falamos então de cascas, ficará provavelmente surpreendido com os diferentes destinos que lhes poderá dar que não o caixote do lixo. Apresento aqui alguns, mas acredito que hajam muitos mais. Aguardo comentários relativamente a possíveis usos.

-Laranja: É fato que comer laranja com casca está fora de questão, no entanto, fazer bolo de laranja com a casca incluída, já é uma historia totalmente diferente. Há receitas espalhadas pela internet fora que recorrem à liquidificadora e prevêem a introdução da laranja inteira para triturar junto com os restantes ingredientes. Pessoalmente nunca experimentei, mas já provei um feito dessa maneira e é maravilhoso.

Com a casca da laranja pode ainda fazer doce, fervendo as mesmas durante uma hora com água, açúcar e 1 pau de canela. Use o mesmo peso de açúcar que casca de laranja e metade da quantidade de água. Ferva lentamente durante uma hora ou até alcançar a consistência desejada.

Se souber fazer frutas cristalizadas ( eu nunca experimentei), casca de laranja é um pitéu. Se tudo o resto for demasiado doce para o seu gosto, enfie as cascas na trituradora depois de lhes retirar o máximo daquele polme branco esponjoso e congele a raspa. É ótimo para temperar carne assada, sobretudo de aves. Revolucione o seu pato com laranja, diminuindo a sua pegada ecológica.
Se tiver uma horta, as cascas de citrinos são óptimas para afastar caracóis, além de contribuir para adubar a terra. Fervê-las em água deixa um cheirinho maravilhoso pela casa;

-Limão: Cá por casa é fruto que não falta nos temperos. Os rapazes sobretudo não o dispensam e até por cima do esparguete são frequentemente deitadas gotas generosas de limão. Ora tanto sumo de limão deixa muita carcaça. Geralmente o destino é mais uma vez o congelador. A lógica da casca de limão que tantas vezes deixava os desgraçados nus no frigorífico, foi invertida. E a casca de limão congelada mantém todas as propriedades. Uso-a para tudo, desde o arroz doce até ao chá;

-Curgete: tirando quando faço caldo verde ( que fica demasiado escuro se não descascar), há muito que deixei de tirar a casca à curgete. Seja para saltear, para a sopa ou para outro uso qualquer, é lavada e cortada em pedaços. Além do desperdício que se evita, a dieta agradece. Aumentamos consideravelmente a quantidade de fibras ingeridas mantendo a casca na maioria dos vegetais e frutas;

-Batata: Virou receita da moda. Não há como fugir à casca de batata frita, que se confeccionam exactamente como se da própria batata frita se tratasse. Eu, que já me habituei ao descascador, quando descasco, pouca casca deixo para contar a história. Por isso prefiro não descascar. Ou seja, lavando bem, as batatas ficam maravilhosas fritas com a casca. Até cozidas gosto delas, se bem que neste caso prefiro a batata nova que tem a pele mais fininha.

-Ovos: E aposto que já se assustou. A malfadada casca dos ovos, com a má fama da Salmonela?! Não pode ser. Para comer, que eu saiba, não. Mas há duas utilizações que eu não podia deixar aqui escapar pela sua tremenda utilidade, que ainda por cima são complementares.

A primeira agradeço à minha cara colega Raquel, que noutro dia me deu esta dica maravilhosa. Guarde as cascas de ovos numa caixa, para sempre que precisar (se as lavar, não ganham cheiro), partindo-as o menos possivel. Sempre que tiver lâminas de máquinas que precisem duma afiadela- robot de cozinha, liquidificadora, varinha mágica, etc- deite uma quantidade de cascas lá para dentro e triture e pronto! Tem as usas laminas afiadas. Já experimentei na picadora e pareceu-me efectivamente mais afiada. Estou à espera de feedback.

Não deitou as cascas de ovo trituradas fora espero. Espalhe-as na sua horta ou nos seus vasos de aromáticas. São uma fonte maravilhosa de Cálcio, alén de que dizem afastar as formigas, mas dessa última estou à espera de confirmação.

E por amor da sua saúde, frutas com pele agradável, como a pêra, o pêssego, a maçã... coma-as à dentada sem deitar nada fora. A quantidade de fibras que ingere são óptimas para si e mais uma vez o lixo agradece.

Este assunto teria muito mais para dizer, mas o post já vai longo. Descasque o problema do desperdício, começando por dar uso às suas cascas. Aqui, sobretudo o meio ambiente agradece. E mais uma vez, não houve sobras nem restos

13 julho 2018

Depressa e bem!

Somos um ser critico por excelência. Vem fácil o reparar em tudo o que está mal. De vez em quando gosto por isso de parar um pouco para apreciar quem faz bem feito.

E nestas coisas do desperdício alimentar já há quem faça muito e bem. Para além de uma ou outra pessoa que me vai dando feedback sobre o que vai fazendo em casa, existem associações e agrupamentos de combate um pouco para todos os gostos.

"Leve o que precisar, dê o que puder" é o lema de um supermercado que abriu recentemente na Austrália, onde os bens "comercializados" são inteiramente gratuitos. Produtos que se aproximam do final da sua validade são aqui distribuídos por pessoas e famílias carenciadas. A OzHarvest, ONG responsável pelo projeto, facilita assim a ponte entre hotéis, restaurantes e supermercados, ajudando na realocação de alimentos, que de outra forma encontrariam o seu destino no fundo do saco do lixo.




Por terras brasileiras, mais concretamente na Bahia, existe um supermercado com uma secção dedidcada à doação de produtos em final de prazo. Desde frutas a legumes, passando por enlatados, encontra-se de tudo um pouco.


Do Reino Unido chega-nos uma solução tecnológica. Desde 2016 a FareShare funciona em conjunto com a cadeia de supermercados Tesco, no sentido de diminuir o desperdicio gerado na distribuição. O Community Food Connection é um projeto piloto que opera através de uma aplicação, a FareShare FoodCloud. O supermercado respetivo indica que tipo de alimentos e as quantidades que sobram naquele dia para doação, e as instituições locais cadastradas recebem uma mensagem informativa para que possam proceder ao levantamento dos bens alimentícios.


Em Itália já temos mesmo medidas legislativas no sentido de travar o desperdício, tendo já reduzido a carga fiscal dos restaurantes que doem os alimentos que seriam deitados fora no final do dia.

Mas não pense que só lá por fora é que se faz, porque por cá também já se vai fazendo e bem. A Refood é um exemplo disso. Espalhada um pouco por todo o pais, organizada em pequenas divisões locais, recolhe os excedentes da restauração e outros similares e distribui por quem precisa.

Já ouviu falar da Fruta Feia. Se não saiba que "Gente bonita come fruta feia!". Este é o mote da cooperativa que opera desde 2013 e que tem como objetivo o combate as perdas alimentares no setor primário. Fazem distribuição semanal de cabazes mediante inscrição no site, para o qual deixo o link:
https://frutafeia.pt

E pronto! Já falei um pouco das iniciativas que me vão inspirando nesta batalha contra o desperdício. Também o inspiraram a si? Boa! Não precisa de fundar uma associação. Comece o combate agora, em sua casa! Sem sobras nem restos....

Boa semana 


04 julho 2018

Festas de anos... um cenário pós guerra.

O mês de Junho é, para mim, uma espécie de tornado festivo, bem pior que Dezembro. É o mês de aniversário de, nada mais, nada menos, do que três membros da família. Isto resulta em três festas para organizar, e, no caso da ultima, que costuma ser para mais pessoas, num descalabro alimentar para resolver.  Muito deste desastre consigo prevenir com alguns truques, que aqui deixo, caso seja daqueles/as que faz questão de organizar as suas festas em casa:

-Faça os doces em tacinhas pequenas, de preferência com tampa. Poderá pô-los na mesa à medida que se forem consumindo, evitando que se estraguem e aumentando o seu tempo de vida pós-festa;

-Recorra a loiça pequena, sejam pratos ou copos. Diminuirá o fenómeno "mais olhos que barriga" e as bancadas cheias de pratos e copos com restos por consumir;

- Vá fazendo as sandes a pouco e pouco. Pão e carnes frias bem acondicionadas são mais facilmente conserváveis no seu estado original, do que sandes já feitas;

-Guarde as embalagens das batatas fritas. Se sobrarem poderá devolve-las ao pacote para as consumir mais tarde;

-Se tiver incluído almoço e jantar na festa, opte por pratos que possam ser congelados ou de fácil reconversão. Do meu cardápio festivo fazem sempre parte o frango assado, o bacalhau com natas e o arroz de pato: os últimos dois congelam bem e o primeiro serve para uma enormidade de aplicações posteriores;

-Disponibilize poucas gomas, rebuçados ou batatas fritas, ou dê-as só na altura do bolo ou nas lembranças. Para além de ser coisa que não faz falta nenhuma aos miúdos, fará com que eles não comam mais nada no intervalo das brincadeiras;

-Previna o seu espaço no frigorífico e no congelador para o que vem a seguir. Deixe a semana seguinte às festas sem compras. É possível que passe a semana a comer restos.

Mesmo seguindo um critério rigoroso relativamente a produtos e quantidades, as sobras são inevitáveis. Aqui seguem alguns pontos que auxiliam na hora de evitar o desperdício:

-Congele a gelatina e a mousse de chocolate. No caso da gelatina pode nem descongelar antes de consumir, dando um gelado interessante;

-Congele todos os bolos! Vai querer fazer uma limpeza de açúcar nos dias que ai vêm e os bolos acabarão por se estragar no frigorífico. Se houver bolos muitos grandes, congele-os em porções. Darão um belo brinde de fim de semana para as crianças;

-Congele as sandes que sobram, ou o pão de forma e carnes frias e/ou queijo que comprou em excesso para as fazer;

-A salada de frutas dará um ótimo batido. Se tiver posto vinho do Porto ou outro álcool no molho, faça da salada de frutas uma base para Sangria. Já está a fruta cortada e tudo!

-Todas as refeições que congelar, faça-o em doses individuais;

E pronto! Agora é só lavar a loiça e a sua festa não deixou nem rasto nem resto!