27 junho 2018

Pataniscas de... qualquer coisa!


A bela da patanisca de bacalhau faz parte do cardápio tradicional lisboeta, sendo uma das imagens de marca da capital. E há poucos almoços que ultrapassem o conforto de umas pataniscas de bacalhau com arroz de feijão.
É, para além do mais, iguaria fácil de confeccionar e, ótima para aproveitar restos de bacalhau ou as partes menos "nobres", mas será só?

Filetes panados é coisa que se repete muitas vezes cá por casa, uma vez que os miúdos gostam bastante e é uma das formas que tenho de os por a comer peixe. Confesso que sobra sempre, desta feita por culpa minha, que tenho sempre medo que falte. Desde que adquiri a fritadeira de ar quente, consigo devolve-los ao "estado estaladiço", mas antes disso, se houve coisa a que nunca achei muita graça, são panados frios.

Assim comecei a testar a minha receita de pataniscas com outra coisa que não bacalhau. Segue a receita de pataniscas de filetes de pescada:

Pataniscas de pescada (4 a 6 pessoas aprox)
200 gr de filetes de pescada panados
200 gr de cebola
300 gr de farinha
4  ovos
sal, pimenta e salsa picada q.b.
óleo q.b.

1. Retirar o panado dos filetes. Lascar o peixe para uma taça. Reservar
2. Bater os ingredientes todos à excepção do peixe, até obter um preparado homogéneo.
3. Adicionar o peixe e bater mais um pouco até homgeneizar o preparado
4. Frita-se o preparado às colheradas em óleo bem quente. Secam-se bem com papel absorvente e servem-se quentes com arroz de tomate e salada.

Notas:

-Qualquer tipo de peixe que confeccionei em filete, resultou bem neste tipo de aproveitamento;
-É bom para aproveitar restos de peixe grelhado ou cozido -dourada, robalo, peixe espada.
-Camarão, polvo e lula resultam bem.
-Vegetais salteados e cogumelos também poderão ser aproveitados desta forma aproximando-se muito de uma outra receita tradicional nossa conhecida- os peixinhos da horta.

Vá experimentando, vá aproveitando e vá melhorando o mundo, a partir da sua casa, bocadinho a bocadinho.


11 junho 2018

Olha a batata frita!


Das coisas que mais se desperdiçam são batatas fritas. Isto porque é coisa gulosa, significa "pecado à mesa" e quando tem autorização de lá chegar, chega com honras de estado e em quantidades avantajadas. Ora, tanta gula dá geralmente em asneira, e a asneira neste caso acaba no lixo!

Batatas fritas frias é coisa que, geralmente, tirando gostos mais excêntricos, não se apreciam. Aquecidas no microondas também está fora de questão, porque perdem toda a crocância. A principio parece um caso totalmente perdido, mas...

Se as quiser reaproveitar como batatas fritas, pode congelá-las depois de bem escorridas e secas e voltar a fritá-las diretamente do congelador. Pode também guardá-las no frigorífico durante dois ou três dias e voltar a dar-lhes um entalão no óleo ou na fritadeira de ar quente, sendo que esta segunda opção é bem mais saudável. Atenção aos tempos de fritura. Não é o mesmo que fritá-las pela primeira vez. Irão escurecer muito rapidamente. Quer apenas mante-las tempo suficiente para restabelecer o "estado estaladiço". 2 a 3 min é geralmente mais do que suficiente. Não se esqueça também de que já lhes deitou sal uma vez.

Depois, usando razoáveis doses de imaginação, pode integrá-las noutras refeições. Eu uso-as em receitas banais como bacalhau à braz ou bacalhau com natas. Pode ainda fazer uma tortilha que, para quem não sabe o que é, não passa de uma espécie de omelete com batata dentro. Corte os palitos em cubos (ou se forem as rodelas, pode cortá-las em tiras ou quadrados mais pequenos) e deite-os directamente na frigideira onde está a cozinhar a sua omelete, logo após ter deitado os ovos e restantes ingredientes. Acompanhe com uma salada e tem uma refeição completa.

Há ainda soluções mais estranhas, do tipo doce. Pessoalmente não sou apologista, mas há quem diga que um pratinho de batatas fritas, aquecido no microondas, com uma bola de gelado de baunilha coberta de Nutella, é a melhor sobremesa do mundo.

Se tiverem mais soluções para o jogo da batata frita, partilhem. Passo a passo, vamos reduzindo o desperdício.

Parabéns por mais um dia a salvar o planeta!

04 junho 2018

Tens restos?! "Pizza-os"!



Cá por casa, a pizza é o prato preferido do jantar de sexta-feira. E se por um lado, mandá-la vir da nossa pizzaria preferida satisfaz o paladar e a preguiça, quando tenho tempo gosto de faze-la de raiz. Sai incomparavelmente mais barata, os miúdos adoram participar, há para todos os gostos e permite o aproveitamento de um pouco de tudo que foi ficando para trás no frigorífico, durante a semana. E o melhor de tudo é que as quantidades necessárias de cada ingrediente são sempre pequenas, permitindo aproveitar mesmo tudo!

Se tiver medo de se arriscar com a massa inicialmente, na secção de massas frescas do seu supermercado de eleição, já as vendem para todos os gostos, desde as fininhas às tipo americano, altas e fofas.

Se quiser arriscar, deixo uma das minhas receitas favoritas, na sua versão mais saudável, com parte de farinha integral:

Massa de pizza "alta e fofa" (4 a 6 pizzas individuais aproximadamente):

8 g de fermento de padeiro seco ou 20 g de fermento de padeiro fresco
350 ml de água morna
300 g de farinha de trigo T65 sem fermento
200 g de farinha de trigo integral
1 colher de chá de sal grosso (rasa)

Azeite e farinha de trigo T65 q.b.

1. Dissolver o fermento em 300 mL da água morna. Se estiver a usar fermento seco deixar repousar cerca de 10 min até notar uma espécie de espuma à superfície (está a ativar a levedura);

2. Numa taça colocar a farinha, a mistura de água e fermento e o sal, Misturar os ingredientes até obter massa "empapada";

3. Passar a mistura para a bancada. MUITO IMPORTANTE: Não enfarinhar a bancada! A massa vai parecer demasiado líquida. É a amassadura da farinha de trigo que lhe vai dando elasticidade. Quanto mais amassar, mais facilmente ela se irá descolar das superfícies e das mãos. Amassar por isso até este ponto, adicionando aos poucos a restante água. Formar uma bola. Deixar descansar em torno de meia hora, numa taça untada com azeite;

4. Cortar a bola em 4 ou 6 unidades (consoante o número e tamanho de pizzas desejado). Na bancada, agora sim, enfarinhada, com ajuda dos nós dos dedos estendê-las até obter uma base fina. Colocar num tabuleiro untado com azeite e tapar com um pano. Deixar levedar cerca de uma hora dentro do forno apagado;

5. A massa leva em torno de 30 min a cozer, em forno pré aquecido a 220 °C. Poderá fazê-lo diretamente no tabuleiro onde levedaram, ou idealmente, recorrendo a uma espátula ou pá para mover as pizzas pré-preparadas, em cima de uma pedra de forno pré aquecida no mesmo.

Notas:
-Se tiver um robot de cozinha com pá própria para amassar pão, poderá amassar lá a sua massa, seguindo o mesmo procedimento de ir adicionando aos poucos a água restante. Quando a massa se descolar completamente da taça está pronta;
-A massa pode ser congelada, após levedada e pode ser usada diretamente do congelador. Neste caso, introduza-a durante 10 min no forno pré aquecido, antes de montar a pizza;
Preocupe-se pouco na hora de dar
forma às pizzas. Cá por casa os miúdos
adoram ensaiar corações,
continentes, animais e todo o tipo
de formas. Estas saíram das mãos
do mais novo: um coração e um urso!
-Se quiser prepara a massa de véspera pode. Em vez de a deixar levedar no forno apagado, deixe-a levedar no frigorífico.

Até pode acontecer que tenha um percalço ou outro nas primeiras vezes, mas assim que acertar com a massa, acredite que aí por casa nunca mais vão querer outra coisa!

Outro ponto importante na construção de uma pizza é, como é óbvio, o molho de tomate. Aqui vai a receita que uso sempre, sem exceção:

Molho de tomate (4 a 6 pizzas individuais aproximadamente):

Azeite q.b.
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
780 g de tomate pelado em lata
Manjericão, orégãos, pimenta e sal q.b.
1 colher de chá de açucar

1.Num tacho, fazer um refogado com a cebola e os alhos, até a cebola ficar transparente;

2. Adicionar o tomate cortado em pedaços, bem como o molho da lata. Deixar ferver em lume brando durante cerca de quinze minutos, mexendo de vez em quando para não pegar;

3.Temperar a gosto com o manjericão, os orégãos, o sal e a pimenta. Tirar do lume. Triturar tudo;

4. Introduzir o açúcar e mexer bem para homogeneizar.

Notas:
-Se tiver tomates frescos, pode introduzi-los diretamente no refogado. É uma ótima forma de aproveitar tomate que está prestes a estragar-se! No final, passe o molho por um passador, de modo a remover as peles do tomate que não tenham sido trituradas.
-Muitas vezes sobra molho. Pode congelá-lo numa caixa de plástico ou de vidro para o efeito, para futuras utilizações.

E agora vem a parte engraçada: compor as suas pizzas a gosto! E no que toca a aproveitar é aqui que fazemos a limpeza do frigorífico.

Montagem das pizzas:

1.Espalhar o molho de tomate a gosto, por cima da massa, deixando uma pequena margem;

2.Dispor os ingredientes selecionados uniformemente por cima do molho. Cobrir com o queijo selecionado;

3.Aromatizar com orégãos. Levar ao forno pré aquecido a 220 °C, durante 30 min

Muitas vezes, em vez de queijo mozarela de base, uso o queijo flamengo em barra, cortado em fios estreitos com auxílio duma faca. Sugiro algumas composições:

-Pizza de carnes frias: mortadela com azeitonas e fiambre cortado às tiras, presunto, chouriço aos cubos e azeitonas; queijo flamengo ou mozarela;

-Pizza de bacalhau: bacalhau desfiado; chouriço aos cubos; pimento verde e/ou vermelho cortado às fatias; azeitonas; queijo “tipo da serra”, qualquer queijo de vaca ou ovelha semi-amanteigado;

-Pizza “veggie”: restos de legumes cozidos- bróculos, couve-flor e cenouras, por exemplo- cebola em fatias finas; azeitonas; cogumelos; pickles; queijo da ilha, de cabra, qualquer queijo com aromas fortes.

Pode terminar a sua refeição com uma maravilhosa pizza doce, substituindo o molho de tomate por Nutella, chocolate negro ou branco derretido, ou uma mistura dos anteriores, guarnecida com restos de fruta que tenha por ai a ameaçarem apodrecer. Neste caso, a fruta é introduzida na pizza, após a cozedura.

O segredo já não está na massa nem no molho! E o seu frigorifico está limpo e livre para uma nova semana de trabalho! Como em tudo, doses razoáveis de imaginação e boa disposição na cozinha resultaram em zero sobras e zero restos.