Mesmo com um bom plano, facilmente nos descontrolamos com as encomendas de
fruta. Seja porque compramos demais, ou porque nos deixamos dormir durante a
semana e lá se foi o tempo para preparar o batido do pequeno-almoço, ou ainda
porque a semana de férias que os nossos filhotes iam passar connosco em casa,
foi transferida à última da hora para casa do melhor amigo, acabar com uma fruteira impropria para consumo é sempre uma possibilidade.
Como é hábito, prefiro falar de conservação, antes de abordar a
transformação. Contudo, a fruta apresenta a este nível extensas limitações.
Falamos de produtos frescos, na maioria dos casos destinados ao consumo em cru,
com teores extremamente elevados em água.
Ora estas características, ao contrário do que se passa com os outros
alimentos, constituem fortes opositores na hora da congelação. Isto porque a
água presente, ao solidificar, forma cristais, alterando e rompendo a estrutura
existente, uma vez que a água no estado sólido ocupa mais espaço que a água no
estado líquido. É por este motivo que quando põe recipientes cheios de líquido
no congelador, eles tendem a "rebentar".
Infelizmente, congelar fruta, seja ela qual for, traduz-se assim numa perda
de qualidade significativa nas suas propriedades. A sua textura torna-se mole e
empapada, inviabilizando o seu consumo em cru.
Portanto, do ponto de vista da conservação estamos limitados ao "tempo
de prateleira" previsto inicialmente, ou será que não...
De facto, nunca tinha ouvido falar de fruta congelada (à exceção daqueles
frutos vermelhos, disponibilizados pelas grandes superfícies comerciais, que
geralmente destinamos a doces, cheesecakes e afins). Apercebi-me, da troca de
conhecimentos com os meus colegas de mestrado, que afinal é uma coisa cultural.
Ao que parece, por exemplo no Brasil, é hábito terem à venda polpa de várias
frutas, com destino a várias preparações culinárias.
Então, porque não congelar a fruta? Ao fazê-lo temos apenas que por de
parte o propósito de a voltar a consumir em fresco. Mas é uma ótima maneira não
só de conservar a fruta em excesso, como de organizar o seu dia-a-dia.
Por exemplo, imagine a maravilha que era, acordar de manhã e ter tempo de
beber o seu batido todos os dias, mesmo naqueles em que tem que ir trabalhar
muito cedo. Nada de muito complicado.
Organize as misturas de fruta que destina aos seus batidos, em sacos de
congelação, já nas doses certas. Depois, o tempo que precisará, será o de
deitar para dentro do copo da liquidificadora todos os ingredientes do seu
batido e carregar no botão. No espaço de pouco mais de cinco minutos, tem o seu
pequeno-almoço, nutritivo e saboroso, todas as manhãs. Além do mais, ainda fica
instantaneamente fresquinho, devido à fruta que acabou de sair do congelador.
Aqui vão as quantidades de um dos meus preferidos, sendo que o procedimento
é sempre o mesmo. Deitar tudo na liquidificadora e deixá-la fazer o trabalho.
Batido de Manga, Banana, Morango (2 a 3 doses aprox.)
150 g de manga descascada e cortada
4 Morangos (aprox. 70 g)
1 Banana pequena cortada às rodelas (aprox. 70g)
125 g de iogurte aroma de coco
400 ml de leite
Pode aromatizar a gosto com hortelã, canela ou até manjericão (fica ótimo
com tudo o que tenha morangos). Pode também adicionar açúcar se preferir, ou
outro adoçante. Pessoalmente, habituei-me a beber sem açúcar, até porque, por
exemplo, os iogurtes de aromas já têm, na maioria dos casos, açúcares
adicionados.
Atenção que, se for fazer o mesmo batido com as frutas ao natural (antes de serem congeladas), a dose de leite terá que ser reduzida significativamente, uma vez que a água presente na fruta está ainda no estado liquido e contribuirá assim para um batido mais liquefeito, do que se a fruta estivesse congelada.
Atenção que, se for fazer o mesmo batido com as frutas ao natural (antes de serem congeladas), a dose de leite terá que ser reduzida significativamente, uma vez que a água presente na fruta está ainda no estado liquido e contribuirá assim para um batido mais liquefeito, do que se a fruta estivesse congelada.
Se pretender um batido mais rico nutritivamente, pode adicionar bolacha
maria, aveia ou outro tipo de flocos de cereais que lhe agrade. Para batidos
mais cremosos, substitua o iogurte por iogurte grego e se os quiser mais
liquefeitos, basta aumentar a proporção de leite.
Intolerante à lactose? Sem problema. Substitua iogurte e leite pelos
equivalentes vegetais que mais gostar. Pessoalmente, adoro os meus batidos
feitos com bebida de soja com aroma de baunilha.
A fruta congelada desta forma serve, não apenas para batidos, mas também
para gelados, mousses, bolos e pudins. Pode incorporá-la em gelatinas e
cocktails, ou simplesmente fazer com elas um sumo fresquinho. Que bem que
ficará a sua sangria no Verão, com fruta que também serve de cubo de gelo. Pode
até, para o efeito, liquefazer a fruta em sumo, e congela-lo nas cuvetes
próprias para gelo. Nunca é demais relembrar que, em questões de
aproveitamentos, o céu é o limite!
E por favor, assim que vir que tem fruta em excesso para o que vai
conseguir consumir, não adie esta preparação. O facto de adiarmos o inevitável
com o pensamento de que, se calhar, ainda vamos consumir aquela fruta, vai
inevitavelmente resultar em fruta no lixo.
Adira a filosofia Sem Sobras… vai-lhe sobrar tempo, dinheiro e saúde.
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