Pelo menos o meu marido é! E espero que continue a ler, mesmo se for menino, porque longe de ser um post sexista (não faz mesmo o meu género), o título serve apenas para lhe dizer duma forma apelativa que o melhor do camarão é... a cabeça!
Quando como camarão, seja cozido, frito ou até grelhado, a minha parte favorita é mesmo a cabeça. Mas se for daqueles/as (neste post tenho que ter cuidados redobrados com o género) que acha que a cabeça do camarão é para deitar fora, continue a ler que o que vem a seguir é para si.
No jantar de passagem de ano cá em casa, coisa que nunca falta é camarão cozido e frito. Quase podemos chamar já uma tradição. A quantidade de cascas e cabeças que sobra é exorbitante. Durante o jantar vou recolhendo tudo numa caixa. No final, e como obviamente não vou cozinhar imediatamente, guardo tudo no frigorífico.
Para quê? Para fazer caldo de marisco caseiro, muito superior aos caldos de compra, tanto em termos dietéticos como aromáticos.
Pegue então nas suas sobras, deite-as num tacho e cubra-as de água. Leve ao lume até levantar fervura. Deixe ferver 5 a 10 min, mexendo sempre. Este passo serve apenas para baixar a carga microbiana que se possa ter instalado. Regra geral, cada quilo de camarão inteiro traduz-se num litro de caldo, mas poderá ser mais ou menos, consoante o quiser mais ou menos concentrado
Retire do lume, triture tudo com a varinha mágica o mais possível e passe por um passador, para separar o caldo formado das cascas trituradas. O caldo poderá servir de base a inúmeras iguarias. Desde rissóis, aos quais pretendo dedicar um post exclusivo, até bases para caldeiradas ou sopas, o limite é a sua imaginação. Pode congelá-lo se não for para uso imediato.
Deixo a receita da minha sopa de peixe, que poderá constituir uma refeição completa.
Sopa de peixe (para 6 a 8 pessoas):
1 posta de pescada grande, para cozer
1 posta de bacalhau média, demolhada
250g de tiras de pota, cortadas aos cubos
2 colheres de sopa de azeite virgem extra
1 cebola média, picada
3 dentes de alho, picados
390g tomate pelado, cortado aos pedaços
3L de caldo de camarão
250g de mexilhão sem casca
100g massinha de pevide
250g delícias do mar, cortadas aos cubos
sal, piri-piri moido, manjericão e coentros picados q.b.
1- Num tacho coza em água a pescada, o bacalhau e as potas. Atenção aos tempos de cozedura, uma vez que o bacalhau leva menos tempo e as potas mais. Se quiser cozer uma coisa de cada vez, faça-o sempre na mesma água. No final, escorra tudo e reserve a água de cozedura. Retire as espinhas da pescada e do bacalhau e lasque. Reserve.
2- Num tacho grande, para sopa, deite o azeite e leve ao lume até aquecer um pouco. Adicione a cebola e o alho e deixe refogar mexendo sempre, até a cebola ficar transparente. Junte o tomate ( se for de lata pode juntar a calda também) e deixe refogar mais 5 a 10 min, mexendo sempre. No final, retire do lume e triture bem o refogado até ter uma pasta homogénea.
3- Leve o tacho com o refogado ao lume, adicione o caldo do camarão e o piri piri a gosto e deixe ferver. Adicione o mexilhão e a massinha de pevide e deixe cozer 7-8 min. Junte a pescada o bacalhau e as lulas apenas para uniformizar a temperatura no caso de estarem frios. Retire do lume.
4- Adicione finalmente as delicias do mar. Acerte a quantidade de caldo recorrendo á agua da cozedura dos peixes, que deve estar também a ferver, e o sal (pode nem ser preciso). Aromatize a gosto com os coentros e o manjericão.
5- Sirva bem quente. Se houver pão duro lá por casa é uma boa oportunidade para o aproveitar, acompanhando a sopa, frito em de azeite refinado.
Notas:
-Se tiver sobrado camarão para além das cascas, pode naturalmente inclui-lo na sopa,inteiro ou cortado aos bocados se for muito grande. Pode adiciona-lo junto com os peixes para que aqueça e absorva um pouco do aroma da sopa antes de ir para a mesa.
-Se o caldo de camarão não for suficiente, pode adicionar mais água da cozedura do peixe. Não saberá tanto a marisco, mas ficará bom na mesma.
-Se sobrar sopa, pode conservá-la no frigorífico para ser consumida até três dias depois da sua confecção, ou no congelador em doses para consumir quando apetecer, até três meses, sem prejudicar em nada a sua qualidade inicial.
A ginástica desta vez foi grande. É verdade, mas... olhe à sua volta: Parabéns, não sobrou nada!

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