05 março 2018

Espetada cozida ou espetar o Cozido!?


Cozido à portuguesa é prato obrigatório cá por casa. Às vezes vem de fora quando a vontade é muita e os convivas poucos, pelas mãos da senhora do café do Tamar. É que já se sabe que é bom e não sobra nada. Outras é refeição de destaque da casa, quando chegam os convivas e há fome que justifique encher a panela. Não tem época já que, por aqui, cozido vai apetecendo sempre, seja no Inverno para aquecer, seja no Verão, só porque sim.

Mas se há coisa que o cozido deixa é rasto! Quanto mais variedade tiver, mais tenderá a sobrar. E como cada um gosta de coisas diferentes e o cozido é para agradar a todos, o caso complica-se. E ou comemos cozido o fim de semana inteiro (também não é má perspetiva de todo), ou arranjamos alternativas.

A primeira forma de aproveitamento costuma ser a sopa do cozido. Há quem use só o caldo de cozer as carnes, massa de cotovelos e um pouco das carnes desfiadas. Neste caso, e como é para aproveitamentos, aqui vai a minha receita da "sopa dos restos". Não tem quantidades, porque depende do que sobrar.

"Sopa dos Restos"

Caldo de cozido q.b.
Resto das batatas
Resto das cenouras
Restos da abóbora
Resto do feijão branco
Resto do nabo

Sobras das rodelas de chouriço de carne e mouro
Resto de lombarda cortada "tipo caldo verde"

1. Triturar as batatas, as cenouras, a abóbora, o feijão e o nabo num pouco de caldo do cozido. Depois de tudo bem triturado, acertar com mais caldo do cozido até obter consistência desejada.

2. Levar ao lume até ferver. Deitar os chouriços e a couve na panela mexendo sempre. Tirar do lume assim que a couve e os chouriços estiverem quentes.

3. Servir. 

Caso tenha sobrado pouca carne poderá ser introduzida desossada, desfiada ou em pequenos pedaços, fazendo da sopa um ótimo prato principal. Em alternativa, aproveitados que estão os legumes e o caldo, restam os métodos tradicionais de aproveitamento das sobras de carne: croquetes, rolo de carne, empadão ou lasanha, são tudo opções viáveis, cujas receitas ficarão para outro dia.

Por muito saborosa que fique a sopa e tudo o resto que se possa fazer, gosto mesmo é do cozido per si, de modo que a estratégia de combate ao desperdício que adoto normalmente é a da conservação. Assim, terminado que está o repasto, divido o cozido em doses para uma pessoa (no máximo duas se não tiver caixas suficientes) e cubro quase até cima com caldo do cozido - deixo um espaço na caixa para efeitos da congelação. Se não tiver caldo suficiente, preencho as caixas pelo menos até meio. Congelo e, até três meses depois, o cozido continua uma delícia. A melhor maneira de descongelar é no frigorífico, lentamente, e depois aquecido no forno ou no micro-ondas, de forma a não cozer demais os ingredientes, mas se precisar de uma descongelação expresso pode sempre usar o micro-ondas ou o tacho. Atenção para não ferver demais.

Por fim, não é um método de conservação e também não é propriamente uma transformação, mas... aqui há tempos tive que apresentar um seminário, parte integrante do Mestrado em Ciências Gastronómicas, sobre cozido. Não se apresenta nada sobre Cozido à Portuguesa sem levar o dito, sobretudo quando temos colegas de nacionalidades diferentes, mas a apresentação não era propriamente numa cozinha... e então lembrei-me. Porque não tornar o Cozido mais... portátil?!

Assim nasceram as espetadas do cozido. Foram neste caso feitas do cozido acabado de fazer, mas dão uma forma excelente e divertida de aproveitar as sobras, reinventando o cozido de uma forma que até os mais novos adorarão. A espetada deverá ser servida aquecida, com uma concha do caldo do cozido.

Bom apetite e bons aproveitamentos 





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